Não há desculpas para este ''thriller'' inoperante em todos os sentidos, especialmente naquilo que logo de início parecia se propor: especular em torno de um tema potencialmente interessante a clonagem humana. Ao contrário, o lançamento nacional ''O Enviado'' (confira a programação de cinema nesta página) reverte as expectativas mais favoráveis e convida a platéia ao sono, durante e após a projeção.
Paul (Greg Kinnear) e Jessie (Rebecca Romijn-Stamos) perdem o filho Adam num acidente. O Dr. Richard Wells oferece ajuda: poderá clonar o garoto morto, com a condição de que cortem todos os vínculos com todas suas relações e se mudem para a pequena cidade onde funciona a clínica e onde ninguém os conhece. Como é ilegal, a clonagem terá que ser feira em absoluto segredo. O renascimento de Adam, afinal, acontece e tudo caminha bem até os oito anos, a idade que tinha o primeiro Adam quando morreu.
Começa então a sessão de pesadelos com o Adam original. O Dr. Wells confirma que as coisas desandaram, e que dali para frente o novo Adam ou seria outro garoto, Zachary?) estará em maus lençóis, sem saber se é um vítima inocente ou uma força malévola. Tanto o médico quanto os pais da experiência e o espectador, todos ficam à deriva. Tem algum sentido supor que o ser clonado será feliz somente até atingir a idade o momento da morte da matriz da qual provém? Ninguém sabe, mas a conclusão ''científica'' e bisonha que se pode tirar dessa situação é que o ideal de segurança para o experimento seria clonar um avô morto ali pela casa dos noventa.
Ocorre que esta dúvida vá lá, metafísica está presente no terço inicial do filme, em cerca de trinta minutos. Restam setenta até o desfecho. ''E agora, o que fazemos?'', deve ter perguntado o roteirista debutante Mark Bomback ao diretor Nick Hamm. Como os dois com certeza assistiram a ''O Sexto Sentido'', acharam que encaminhar a trama em direção ao sobrenatural seria uma saída. E assim Adam começa a mudar e o filme vai junto, vagando sem rumo como alma penada, colecionando clichês de ''filme de susto'' e desprezando qualquer argumento mínimo em torno de bioética. Até atingir um clímax arbitrário e carente de honestidade e impacto.
Robert De Niro é a baixa mais sensível nesta derrocada. Sem compreender muito bem o que faz na história, aceitou estar (e não interpretar) numa dezena de cenas. E isso é que resulta mais perturbador: há algum tempo, o ator vem aparecendo em produções de qualidade instável, sempre com ar aborrecido, sem ao menos proporcionar um momento qualquer de overacting diante da falseta da ciência, versão dr. Frankenstein do terceiro milênio. O que seria, aí sim, um autêntico sopro de vida neste ''O Enviado''.

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