CINEMA/ESTRÉIA - Terror em estado bruto
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 28 de outubro de 2004
Alessandro Giannini<br> Agência Estado 
Considerado um clássico dos filmes de terror, ''O Exorcista'' (1974), de William Friedkin, ganhou uma sequência dirigida por John Boorman (''Exorcista 2: O Herege'', 1977) e outra por William Peter Blatty (''Exorcista 3: A Legião'', 1990), autor do romance em que a série toda foi baseada. As duas eram inferiores ao original, mas nenhuma foi tão longe como ''Exorcista: O Início'', de Renny Harlin, que estréia hoje nos cinemas.
O filme, que revela as origens do padre Merrin, interpretado aqui por Stellan Skarsgard, tem mais interesse pelos bastidores do que por aquilo que mostra na tela. Ou seja, uma história de terror convencional, sustentada basicamente na maquiagem, na ambientação e nos efeitos especiais, sobre um dos primeiros embates de Merrin com o ''tinhoso''. Logo após a 2 Guerra Mundial, ele é chamado para acompanhar as escavações de uma Igreja em um sítio arqueológico no Quênia. E lá se envolve com os colonizadores britânicos, com uma médica e com os colonos.
O projeto de ''Exorcista: O Início'' havia sido encomendado a Paul Schrader, o roteirista de ''Táxi Driver'' e diretor de ''Mishima - Uma Vida em Capítulos''. Mas os executivos da Warner assistiram aos primeiros cortes e avaliaram que não estava de acordo com os seus objetivos para o mercado. ''Eles acharam que o filme de Schrader não era suficientemente assustador'', contou Harlin, em entrevista por telefone. ''E queriam que eu contornasse esse problema.''
Harlin respondeu que não tinha condições de turbinar o filme de Schrader, classificado como um ''drama chapado'', e era preciso começar todo o trabalho do zero. Apesar de a Warner ter investido US$ 35 milhões no projeto, concordou em injetar mais US$ 50 milhões e atender às exigências do novo diretor. Só Skarsgard continuou no elenco. O roteiro foi completamente reescrito. E como a maior parte das ambientações eram cenários, foi só reaproveitá-los e reciclá-los para a nova história. ''Foi a única maneira que encontrei para resolver o problema'', disse ele.
Mas a Warner não se desfez do filme de Schrader. Vai lançá-lo no início de 2005 em uma edição especial dupla, junto com a versão que foi para os cinemas. A idéia foi incentivada por Harlin. ''Respeito muito o trabalho de Schrader e acho que tem o seu público, mas não era o que o estúdio queria'', disse ele. ''De qualquer forma, defendi a idéia de lançar os dois filmes em DVD, até para que o público possa comparar as duas versões.''


