CINEMA/ESTRÉIA - Shrek cativa com humor subversivo
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quinta-feira, 17 de junho de 2004
Carlos Eduardo Lourenço Jorge<br> Especial para a Folha 2 
Por que você se refere a um desafio antes e um alívio agora, em relação a ''Shrek 2''?
Durante um bom tempo lamentamos não ter deixado mais portas abertas para uma sequência. Uma vez que Shrek e Fiona terminavam juntos e felizes no primeiro filme, não era assim tão fácil armar uma outra história sobre personagens que gostariam de separá-los. Este era o desafio. Mas espere, não o único. Outro, e grande, era não decepcionar os fãs. Todos já conheciam os personagens, e não podíamos fazer qualquer coisa com eles. Teríamos que ser fiéis às suas personalidades, e ao mesmo tempo acrescentar algumas surpresas.
E o alívio?
Ah, sim, e que alívio, quando soubemos aqui em Cannes a repercussão do filme na sessão para a crítica e quando presenciamos emocionados a ovação do público na sessão de gala na Sala Lumière. Não podemos esquecer que era uma estréia mundial, nenhuma sessão pública tinha acontecido. Mesmo com a retaguarda do sucesso da primeira história tínhamos sempre uma certa desconfiança em relação à esta segunda parte. Mas felizmente as reações foram as mesmas, e está sendo assim nos Estados Unidos, onde o filme está estreando agora.
Como ''Shrek'' o primeiro ou o segundo, tanto faz funciona com a platéia? Como se dá a empatia com o espectador?
Acho que é porque são histórias contadas de um ponto de vista adulto, mas que por causa de uma química especial funcionam também para as crianças. E o habitual é fazer isto ao contrário. Mas o nosso é um humor um pouco mais sofisticado e subversivo. Algumas crianças compreendem as piadas mais sofisticadas, outras não. E muitos pais morrem de rir com as anedotas mais infantis.
É exatamente isso que me impressiona tanto no primeiro quanto neste, é este equilíbrio de humor entre o muito adulto e o infantil. Como você trabalha esta idéia?
Cada um que se envolve com a história tem um sentido aguçado sobre o que funciona e aquilo que não. O processo é aquele de todos sentarem, exporem suas idéias e então passarem ao ''brainstorming'' para ver se elas podem ou não dar certo na tela.
Há três diretores no filme. Como funcionou o processo criativo?
Eu jamais conseguiria nada sem Kelly (Asbury) e Conrad (Vernon). Eu estava realizando simultaneamente um outro filme de animação, ''The Lion, the Witch & the Wardrobe'', e por isso fiquei menos e menos envolvido com ''Shrek 2'' próximo do final. Eles foram simplesmente ótimos, foi realmente um time.
Quanto tempo levou para deixar pronta uma história que funcionasse para todos envolvidos na criação?
Ao todo, cerca de dois anos. Mas para que todos ficassem mesmo felizes demoramos mais seis meses. De qualquer maneira, não é nada fácil, nunca.
Quais são seus momentos favoritos no filme?
Eu adoro o Gato de Botas, mas meu segmento favorito é da ''Missão Impossível'', exatamente porque a sequência toma um rumo que você não espera.
Por falar em Gato de Botas, o personagem é exímio ladrão de cenas.
Com certeza. Antonio (Banderas, a voz do personagem no original em inglês) está maravilhoso. O gato estava no tratamento inicial do roteiro, e ele acabou crescendo e se tornando um personagem positivo. E tornou-se ainda melhor quando Antonio o assumiu.
Não é segredo a importância da permanência das vozes de Mike Myers, Cameron Diaz e Eddie Murphy para o bom resultado de ''Shrek 2''. O que isto representa no geral para um filme de animação?
Não acho que seja importante ter grandes nomes, mas às vezes as pessoas são grandes nomes por causa daquilo que eles trazem para um filme. Acho que isso vale aqui. Mike, Cameron e Eddie são grandes naquilo que fazem, e trouxeram para os personagens as suas próprias perspectivas. Foi muito importante que viessem fazer ''Shrek 2'', que não seria a mesma coisa sem eles. Ter nomes é importante, mas muito mais importante é ter pessoas que são extremamente talentosas.


