CINEMA/ESTRÉIA - Leitão ao gosto da criançada
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 17 de julho de 2003
Carlos Eduardo Lourenço Jorge<br> Especial para a Folha 2 
Distribuidores e exibidores não descansam e o reabastecimento é constante. E comercialmente, com razões óbvias e de sobra. Afinal, pelo menos em tese, crianças sozinhas não vão ao cinema e o programa de matinês acaba sendo familiar em mais de um sentido, ou seja, além do lazer grupal, em cada meia entrada acrescente-se pelo menos uma inteira. Mais uma guloseima aqui, um refri ali, e a renda chega farta ao final do expediente. Para este final de semana, novos títulos se incorporam à programação, que também não se esqueceu do segmento bem mais crescido e abre espaço até para ressuscitar o horror, ainda que um tanto fora de época.
''Leitão, o Filme'', em lançamento na cidade (veja a programação de cinema na página 2), chega como elo primário na cadeia alimentar das bilheterias. Isto é, seu direcionamento é para crianças menores, para aquele grupo de até no máximo dez anos de idade. O filme se inscreve entre os projetos mais tradicionais e elementares das oficinas Disney, estando longe da sofisticação, tanto formal quanto de roteiro, dos sócios da Pixar (leia-se ''Procurando Nemo''). Aqui estamos diante de um trabalho de orçamento visivelmente mais modesto, embora suficiente para produzir uma animação manual básica e muito decente com um traço desarrumado mas elegante e contar uma história imaginada para a capacidade de compreensão dos mais pequenos.
Baseado nas histórias e personagens criadas pelo inglês A. A. Milne, o argumento de ''Piglet's Big Movie'' está centrado no personagem secundário do grupo onde se destacam os companheiros de franquia, o Ursinho Pooh e Tigrão, velhos conhecidos da garotada, com espaço ainda para o Coelho, o burro e uma família de cangurus. Ao longo dos 75 minutos do filme, Leitão luta para adquirir auto-estima. Desanimado, ele se sente muito pequeno diante dos outros, e está sempre em busca de reconhecimento. Quando tenta encontrar sua família, acaba perdido no Bosque dos Cem Acres. Os amigos partem à sua procura, tendo apenas como pista o diário do desaparecido, repleto de desenhos e de relatos sobre suas andanças passadas. Ajudada por providenciais flashbacks, a turma acaba se dando conta do papel importante que Leitão sempre teve em diversas situações, algumas até bem complicadas.
A lamentar a ausência, por causa da dublagem, da trilha sonora original com oito baladas folk-rock compostas e interpretadas por Carly Simon especialmente para o filme. Mas as letras em português acabam se adequando ao propósito de tornar claro à platéia miúda a moral da história bem apropriada aos nossos tempos , de que no dia-a-dia os personagens ''pequenos'' podem ter seus momentos de glória e converter-se em heróis, nem que seja por um dia. Basta saber a hora e a vez.


