Gerados diretamente para a televisão em 1969 pela fertilidade do estúdio da dupla William Hanna-Joseph Barbera, o quarteto de detetives metade enfadonhos, metade descerebrados - e com a inestimável ajuda de um cão que é a soma dos ''atributos'' dos demais - fez as delícias de pelo menos duas gerações de crianças, antes de cair no esquecimento. O quinteto viajava por todo o país resolvendo qualquer espécie de mistério - a especialidade eram fantamas, monstros e paranormalidades diversas, ameaças à tranquilidade e ao sono dos cidadãos. Para a série inicial foram criados com sucesso 25 episódios, mais tarde seguidos por muitos outros capítulos, inclusive por um longa-metragem inteiramente animado, há exatos 20 anos, e por um videogame. Agora a turma está de volta neste muito pouco inspirado ''Scooby-Doo'', a partir de hoje em amplo circuito nacional armado para fechar o cerco ao Dia da Criança.
Como é necessário um argumento para levar adiante um longa-metragem, por mais esquálido que seja, vamos lá. Dois anos depois que um choque de egos obrigou a empresa Mistery Inc. a fechar as portas, Scooby-Doo e seus sempre assustados amigos, os detetives Fred (Freddie Prinze Jr.), Dahne (Sarah Michelle Gellar), Shaggy (Matthew Lillard) e Velma (Linda Cardelini) são chamados individualmente a Spooky Island para investigar uma série de incidentes paranormais num parque de diversões temático. O proprietário de Spooky Island, professor Emile Mondavarious (Rowan Atkinson), trata de reunir o quarteto para que resolvam o mistério antes que os fenômenos sobrenaturais afugentem os universitários frequentadores do parque.
É bom deixar bem claro: ''Scooby-Doo'' não é, nem em sua origem e nem sequer fundamentalmente, um filme. Antes de mais nada, ''Scooby-Doo'' é uma precisa, bem delineada estratégia de marketing, surgida das fumegantes calculadoras da fábrica de sonhos enlatados que é Hollywood - U$ 150 milhões só nos Estados Unidos, 100 a mais do que custou e consequente crédito para uma sequela já anunciada. Uma pensada estratégia que acena para as platéias menores (sustos e brincadeiras da hora do recreio), aos adolescentes (a possibilidade de curtir rostos da emergentes e/ou da moda como o da caça-vampiros Buffy/Sarah M. Gellar) e aos adultos, teoricamente seduzidos pelo revival de certo psicodelismo anos 70. Há até um discreto flerte com o cinema extravagante de Tim Burton.
Mas o tipo de aventuras que se vê na tela, por sorte em apenas 85 minutos, acaba deixando a maioria indiferente. Os menores podem até se assustar com contrabandeados elementos horripilantes, os adultos nostálgicos podem não encontrar o que procuram e se entediar com a ausência do velho e covarde Scooby e os adolescentes, como convém, podem adolescer e achar tudo ''aborrescente''.
Como quase sempre, não se repreende a produção, que mostra o quanto custou e enche a tela com uma correta direção de arte captada por iluminação adequada aos propósitos do espetáculo, isto é, a valorização visual dos fenômenos sobrenaturais. Mas o principal - a graça e o charme - está ausente. Mesmo o Scooby-Doo animatrônico criado pelos técnicos da Warner, de início curioso e divertido, acaba cansando. Embora seja o personagem mais carne-e-osso do elenco...Resta curtir o inglês Rowan Atkinson, mesmo que sempre preso a sempre hilariante maldição de Mr. Bean.

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