CINEMA/ESTRÉIA - Farsa de costumes, à francesa
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 19 de novembro de 2004
Carlos Eduardo Lourenço Jorge<br> Especial para a Folha 2 
Em setembro o filme já podia ser encontrado nas locadoras brasileiras, seis meses depois do lançamento nos cinemas do país. Como somente hoje ele está chegando à cidade, isto significa um atraso de quase um ano em relação às salas nacionais, e de dois anos quanto à estréia mundial - a produção é de 2002. Para se ver como são estranhamente tortuosos os caminhos que a produção não americana percorre (quando percorre) para chegar até o espectador. E estes desvios são praticamente os mesmos no circuito internacional.
''Beije Quem Você Quiser'', título fiel ao original ''Embrassez qui Vou Voudrez'', está situada entre a sátira despudorada e rasgos de compaixão, bem ao feitio do roteirista-diretor-ator Michel Blanc. A história se limita a dez dias na vida de cinco casais, os filhos, os amantes e amigos durante uma temporada de férias em Touquet, balneário de luxo no norte da França. Há entre o grupo uma bela, entediada, fútil e ociosa burguesa (Charlotte Rampling), um marido empresário cínico (Jacque Dutronc) vivendo romance com um transsexual, uma mãe solteira (Clotilde Courau), um namorado narcisista, a amiga casada com um depressivo sem vintém, um sedutor sem escrúpulos, o adolescente em rito de passagem sexual com a dama mais velha...
Em clima de hipocrisia, sucedem-se as confusões, não em ritmo de pastelão, como certamente ocorreria se Hollywood adaptasse o material, mas entremeadas por momentos de graça mais leve, de toques mais sutis e delicados. Comédia doce-amarga de fundo social, ''Beije Quem Você Quiser'' tem na consistência e harmonia do elenco seu mais forte ponto de referência. Bons atores, bem dirigidos, sempre ajudam a tornar o argumento mais sólido.


