CINEMA/ESTRÉIA - Enfim, 'Babel'
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sexta-feira, 26 de janeiro de 2007
Katia Michelle<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Não espere uma história linear. O melhor, aliás, é nem ficar obcecado procurando ligações para todas as cenas de Babel, ganhador do Globo de Ouro e que recebeu sete indicações ao Oscar. Dirigido por Alejandro González IÀarritu (''Amores Brutos'') e com Brad Pitt, Cate Blanchett e Gael García Bernal no elenco, o filme sugere como um fato pode afetar pessoas em várias cantos do mundo, do Marrocos ao Japão, mas quem buscar veracidade pode encontrar o caos. E talvez seja esse o melhor tema do filme, já que a história em si pode não convencer os que buscam muita realidade.
No filme, um Brad Pitt em uma de suas melhores atuações viaja com a mulher numa região um tanto inóspita do Marrocos. Ele está num ônibus de turistas americanos com a mulher Susan (Cate Blanchett). Ela leva um tiro disparado por meninos que cuidam de um rebanho de cabras, mas o acidente é interpretado como ato terrorista para os Estados Unidos. Começa aí um crise burocrática e política que vai impedir a remoção da turista para o hospital, que fica à beira da morte.
Por outro lado, os filhos do casal estão aos cuidados da babá (Adriana Barraza) e já que os patrões ou alguém da família não chega para cuidar das crianças, ela resolve levá-las ao México para o casamento do próprio filho. Na volta, vítima da atitude irresponsável do sobrinho (Bernal), ela é deixada na madrugada com as crianças à própria sorte no meio do deserto que corta a fronteira entre os dois países. A relação das histórias não pára por aí. As crianças marroquinas que dispararam o tiro também vivem uma realidade peculiar e a origem do rifle que portavam vai render uma outra história. Ou a mesma.
O rifle foi vendido ao pai das crianças por um amigo marroquino que, por sua vez, ganhou a arma de um caçador japonês, cuja filha surda-muda sofre com a adolescência e com a ausência da mãe, que se matou no Japão. Parece confuso? É justamente por isso que o filme não deve ser visto pela ótica da linearidade. A ligação dos fatos não é apenas casualidade, mas faz parte de uma teoria que leva mais tempo para explicar do que a própria duração do filme. Enquanto isso, o espectador deve se ater às histórias isoladas, cada uma com possibilidades de serem um filme à parte.
O tema central, no entanto é a falha de comunicação que aparece em todas as relações e histórias paralelas. Tanto quanto sugere o título (alusão óbvia à Torre de Babel). E essa lacuna não é privilégio de um país ou de uma cultura, mas do ser humano.


