''Shrek'' deixou o certo pelo duvidoso e deu no que deu, este filme que aí está, desordenado, enfraquecido, frouxo, sem carisma. Nesta temporada de trilogias milionárias, a que melhor se saiu - não em rendas, mas em qualidade final na tela - é este ''Treze Homens e Um Novo Segredo'', que chega hoje ao circuito brasileiro e ocupa vácuos deixados por ''Homem-Aranha'' e ''Piratas'' (veja a programação de cinema na página 2), todos com os alforjes abarrotados.
Bando por bando, quadrilha por quadrilha, turma por turma, a de ''Ocean's Thirteen'' está mais afinada que a do ogro verde e a do pirata Jack Sparrow. Aqui não são admitidas maiores surpresas, e o diretor Steven Soderbergh sabe que, uma vez identificados os ingredientes que fizeram a cabeça e o bolso do público, a rotina deve ser retomada.
E se a rotina dos dois filmes precedentes era bem urdida, não havia porque transformar esta prática vencedora em burocracia ou previsibilidade. Quem sabe apenas condimentar a trama aqui e ali com certa dose de cinismo em prol da ilegalidade - aliás, nada que o cenário político de Brasília já não nos ofereça há muito tempo, sem nenhum resquício de ficção.
O filme é uma feliz conjugação de sortilégios. Antes de mais nada, trata-se de um entretenimento - para o público, e que ninguém duvide, na mesma medida para todos que trabalharam nele. Um entretenimento muito elaborado, tanto pelos roteiristas-especialistas em histórias de cassinos e sua fauna de vigaristas, como pelo diretor Soderbergh - a planificação e a montagem evocam muito o estilo que ele empregou em ''Traffic''.
E, claro, repete-se e se reforça o elenco, sem duvida a grande cartada comercial da série. Mas há uma variação no tom. Aqui, a ação não está tão presente, embora a narrativa seja muito movimentada. Aqui, o grande espetáculo corre por conta da direção artística. E, claro, há uma enorme vitrine de tecnologia, uma incessante oferta de engenhocas em trânsito constante como em todo filme recente sobre assaltos espetaculares.
Então é isso. A mais afinada equipe de gatunos volta agora com um propósito bem definido. Antes propriamente de auferir lucros com a apropriação do patrimônio alheio, a idéia é lavar a honra ultrajada de um dos seus pares. A questão aqui é moral, trata-se de restaurar o respeito de um dos integrantes deste clube ''dos que apertaram a mão de Frank Sinatra'', aliás o Danny Ocean de 1960, no ''Onze Homens e Um Segredo'' original.
Agregado de luxo ao elenco, Al Pacino é Willy Blank, todo-poderoso, milionário, pilantra e dono de vários hotéis-cassino em Las Vegas. É ele quem passa a rasteira e provoca enfarte e depressão profunda em Reuben Tishkoff (Elliot Gould), o bom amigo de todos os quadrilheiros - chega até ser deselegante, este rótulo. Só por isso Blank é o alvo potencial e pretexto para aquele grande golpe, arquitetado e perpetrado com o habitual perfeccionismo por Danny (George Clooney), Rusty (Brad Pitt), Linus (Matt Damon) e agora também, quem diria, por Terry Benedict (Andy Garcia), o homem do capital necessário.
Depois de dois primeiros filmes que padeciam de certa magalomania, ''Treze Homens e Um Novo Segredo'' é aventura light sobre o tema clássico da vingança mesclada com humor escapista em escala ''cool''. É como se o espectador sentasse num piano-bar sofisticado e pedisse um coquetel refrescante, ágil e de agradável degustação. Tão fácil de digerir quanto de descartar, entre sorrisos. Mas sem qualquer ofensa ao paladar - leia-se inteligência -, o que já é enorme ganho nestes tempos.

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