CINEMA/ESTRÉIA - Bom só na telinha
PUBLICAÇÃO
sábado, 27 de janeiro de 2007
Katia Michelle<br>Equipe da Folha 
Curitiba A família brasileira continua a mesma. Pelo menos a grande família do seriado exibido pela Rede Globo, que não perdeu o humor na sua passagem para a telona. Na difícil tarefa de adaptar a série televisiva para a TV, o diretor Maurício Farias (do ótimo O Coronel e o Lobisomem) manteve a diversão de uma das séries mas duradouras da TV brasileiras, mas não conseguiu vencer um desafio: o tempo. Se a série é boa porque é compacta, A Grande Família - o filme, em cartaz desde ontem, não alcança a mesma projeção em suas quase duas horas de duração. Vai bem no início, mas escorrega depois que o espectador percebe que não vai ter intervalos, ou pior: que precisa deles.
O diretor lança mão de uma fórmula conhecida no cinema: a repetição. Se a realidade não costuma dar uma segunda chance, a ficção permite que uma mesma história seja contada diversas vezes, por ângulos diferentes. Isso acontece com Lineu (Marco Nanini), que na iminência da morte tem a chance de refazer sua história. O problema é que isso acontece por três vezes, fazendo com que a fórmula de repetição caia em sua própria teia.
O filme também resgata o início de namoro de Lineu e Nenê (Marieta Severo) e coloca elementos novos na relação dos dois, como a possibilidade deles terem amantes (interpretados por Dira Paes e Paulo Betti). Muitas vezes os novos personagens também se sobrepõem aos principais. Deixam apagados, por exemplo, o excelente Pedro Cardoso que vive Tinho, uma das melhores apostas da série. No filme, o casal vivido por ele e pela curitibana Guta Stresses conquistam finalmente o sonho da gravidez, mas ficam longe das tiradas hilárias bastante conhecidas dos fãs da série.
Mas se como longa-metragem A Grande Família o filme não emplaca, pode ser visto melhor como seriado. Se o filme for dividido em capítulos, é diversão garantida.


