Cada vez resulta mais difícil julgar aquilo que pode interessar às crianças de pouca idade, agora que os pequenos já são ''maiores'' do que parecem e que os mais recentes acertos do cinema infantil, em particular o de animação, conseguiram despertar justificado e rentável interesse entre os adultos. A publicidade de ''Valiant'' identifica o novo produto com os criadores de ''Shrek''. Mas este apelo pode resultar propaganda enganosa e afinal decepcionante.
Pombos e falcões protagonizam esta produção animada que chega para abastecer as férias nacionais de verão (veja a programação de cinema nesta página). A razão por que foram eleitos tão curiosos personagens é homenagear todas as aves que supriram com mensagens as forças aliadas, estabelecendo uma estratégia alada atrás das linhas inimigas durante a II Gerra Mundial.
Valiant é um pombo que anseia conseguir tudo aquilo que sonhou quando era garoto. Para isso, se inscreverá no Serviço Real de Pombos Mensageiros da Grã-Bretanha. E como batalha entre soldados de carne e osso, o herói terá pela frente perigosos falcões alemães, que cairão sobre ele e seus amigos toda vez que passarem sobre o Canal da Mancha, entre a França e a Inglaterra.
Não se pode dizer que se trata meramente de ficção, já que a história é real, isto é, as aves de fato conseguiram poupar muitas vidas com suas mensagens estratégicas, chegando mesmo a ser condecoradas com a Cruz da Vitória como reconhecimento do valor de sua contribuição.
Realizado pela Vanguard Animation, produtora inglesa que busca um nicho de mercado no já congestionado território dominado pela Pixar e até há pouco pela DreamWorks (vendida à Universal), ''Valiant'' traz uma coleção de boas idéias, mas faltou ao diretor Gary Chapman um bocado de ambição. Isto implicaria risco, como arriscados foram os produtos que tanto (re)animaram as platéias na última década.
Mas apesar do bom dinheiro investido U$ 40 milhões sobraram brandura e um tom elementar em demasia, que não conseguiram tirar partido do potencial de aliados amigos (os ratos da resistência francesa) e dos nazistas sanguinários.
As referências cinéfilas ao comportamento dos personagens no meio militar resultaram muito descafeinadas para uns e absolutamente inacessíveis para outros, os menorzinhos, os verdadeiros destinatários do filme. Há que ressaltar o bom acabamento das imagens convencionais, mas há que deplorar a escassa inventiva em todos os níveis. Sobretudo de um roteiro que poderia ter sido um pouquinho menos politicamente correto.

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