Existe uma área geográfica, ao noroeste da Jordânia, na qual as transações comerciais ocorrem à margem da lei. Uma zona privilegiada, isenta de impostos fronteiriços e taxas alfandegárias, onde é particularmente proveitoso comprar ou vender qualquer tipo de mercadoria. Automóveis de marcas famosas, por exemplo.
O título do filme que entra hoje em exibição em sala alternativa, ''Free Zone'' (confira a programação de cinema nesta página, remete a este pequeno oásis de fronteiras abertas e de miscelânea cultural. Um lugar em que, segundo o cineastaa isarelense Amos Gitai (a pronúncia é Guitai), ''pessoas do Iraque, Egito, Síria, Arabia Saudita, Israel e da própria Jordânia se relacionam umas com as outras, compartilhando experiências, comida e projetos de futuro, completamente alheias aos conflitos bélicos ou de qualquer outra espécie que, por desgraça e com demasiada frequência, afetam seus respectivos países de origem''.
Três mulheres muito diferentes entre si protagonizam ''Free Zone''. A mais jovem é norte-americana. Outra, de caráter mais forte, é israelense. A terceira, sensível e misteriosa, é palestina. As três unem seus destinos naquela citada zona de comércio. Ao longo da narrativa, o espectador vai conhecendo as reais motivações de cada uma delas.
Rebecca (Natalie Portman, atriz de origem israelense), filha de pai judeu e mãe não judia, acaba de romper com o noivo Julio (Aki Avni), israelense de origem espanhola. Discute com ele, sai correndo e entra num táxi, conduzido pela autoritária, resoluta e sincera Hanna (Hanna Laszlo, melhor atriz ano passado em Cannes). Tornam-se amigas. E decidem fazer uma viagem até a fronteira. Lá, Hanna deve resolver assunto econômico relacionado ao marido.
Leila (Hiam Abbas), reservada, educada e submissa, é a terceira personagem que se une às outras duas. Estas três mulheres vão tratar de se entender e resolver suas diferenças e seus conflitos. Claro que o aspecto humano resulta indissociável do político, e esta é uma especialidade do israelense Amos Gitai, diretor pouco conhecido no Brasil que pratica um cinema de rigor formal e sempre aberto às inquietações contemporâneas.

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