CINEMA/ESTRÉIA - A 'ditadura' anárquica do Casseta & Planeta
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sexta-feira, 21 de novembro de 2003
Da Reportagem local 
Não é de hoje que os Cassetas são conhecidos por fazer piadas com temas polêmicos. Os extintos tablóides ''Planeta Diário'' e ''Casseta Popular'' são antigas ''provas do crime''. E volta e meia - todo mundo fica sabendo até por uma questão de auto-marketing - os humoristas levam puxão de orelhas da direção da Globo porque espinafraram alguém com status de alguma coisa ou sem status nenhum - político, empresário, militar, socialite, religioso, artista da casa ou de outras redes, esportista, anônimo. Absolutamente ninguém escapa ao olhar crítico e ao verbo ferino desta turma de iconoclastas comprometidos apenas com a mais ilimitada irreverência, com o humor mais escrachado e hilário que consegue a proeza de não descer ao nível de baixaria. Com eles, qualquer abordagem é sempre muito mais que uma sátira.
Agora, o pessoal do Casseta & Planeta deixa de aparecer somente no vídeo e chega à tela grande. A partir de hoje eles estão no lançamento nacional ''A Taça do Mundo é Nossa'' (veja a programação de cinema na página 2), longa metragem ambientado durante a ditadura militar que sufocou o país nos anos 1960 e 70. Ninguém escapa ao deboche, e os principais ícones da época, militares ou militantes da esquerda, todos e tudo - até mesmo as torturas sofridas pelos presos políticos - se transformaram em matéria prima para a comédia.
''A gente quis fazer um filme para as pessoas rirem daquela época. Afinal era tudo uma bagunça, tanto no meio dos militares quantos dos perseguidos pela ditadura'', afirma Bussunda. Sem a mínima preocupação com o que vão dizer ou deixar de dizer os ativistas do período, com farda ou sem ela, o filme pretende levar aos cinemas a mesma generosa fatia de público que vem há anos garantindo bons índices de audiência no ibope televisivo. Depois do lançamento de ''Os Normais'' há quinze dias, a incursão dos Casseta é mais uma investida da Globo Filmes no mercado cinematográfico nacional, em parceria com a Conspiração Filmes e com participação da Warner Brothers. O custo revelado da produção chegou aos R$ 4,9 milhões.
Com direção de Lula Buarque de Hollanda, ''A Taça do Mundo é Nossa'' tem como ponto de partida o roubo da Taça Jules Rimet, conquistada pelo Brasil quando a Seleção Brasileira foi tricampeã mundial no México, em 1970. O ''crime'', ocorrido em pleno desfile da vitória, foi cometido pelo estudante revolucionário Frederico Eugênio, codinome Wladimir Illitch Stalin TseTung Guevara (Bussunda); pelo cantor-compositor meia boca nascido em Cachoeiro do Itapemirim, Peixoto Carlos (Hubert), e pelo vegetariano Denílson (Helio de la PeÀa), inimigo feroz da carne vermelha. Após confusão numa churrascaria, eles fogem e fundam o temido e obscuro PANAC (Partido Anarco Nacionalista Anticarnívoro Carlos). Com a ajuda de Lucy Ellen (Maria Paula, exibindo o que até então continua inédito na tevê), eles escapam da perseguição do General Manso (Beto Silva) e vão se esconder na selva amazônica.
Durante hora e meia de projeção é possível encontrar diversas referências humorísticas ao período: o Repórter Esso, a ação da censura, a influência do Che, a guerra do Vietnã, tudo evidentemente em chave de humor escrachado. A turma da Casseta acredita que o público mais jovem, mesmo sem ter vivido naquela época, também vai se divertir muito. ''O que também quisemos foi espantar fantasmas pessoais, pois nós também estivemos envolvidos na esquerda'', diz Marcelo Madureira, que interpreta Dolores, a mulher de Manso, general linha-dura. Os dois últimos Cassetas, Reinaldo e Cláudio Manoel, aparecem na história respectivamente como Dona Julieta e General Mirandinha. Os tricampeões do mundo Jairzinho e Carlos Alberto Torres, o cantor e ator Toni Tornado e a atriz Deborah Secco aparecem em participações especiais.


