''Hasta la vista, baby'' e ''I will be back!'' Arnold Schwarzenegger cumpriu as promessas de seu personagem e está desde ontem em quase quatro mil salas do território americano com ''O Exterminador do Futuro 3 - A Rebelião das Máquinas'' (sai James Cameron, entra Jonathan Mostow na direção) e que tem estréia brasileira prevista para 1º de agosto. Este retorno a uma das mais caras e barulhentas franquias hollywoodianas vinha há tempos sendo preparado com muito cuidado e largamente mediatizado mundo afora. Em maio, a Columbia-Tri-Star exibiu aos jornalistas reunidos em Cannes apenas um trailer de sete minutos e ainda montou a céu aberto, em pleno meio-dia de sábado, um grande show tipicamente americano para expor o produto diante da influente imprensa mundial reunida para a cobertura do festival. E pela primeira vez em sua história, agora já nem tão exclusiva assim, os jardins do imponente Hotel Intercontinental-Carlton foram tomados de assalto por uma dupla de enormes robôs e pela estrela maior da trilogia, Schwarzenegger em carne, músculo e osso - muito mais músculo, diga-se.
Um acontecimento fora do comum, um fenômeno de massa que mobilizou numerosa equipe técnica, responsável pela movimentação cênica das tais máquinas ''rebeldes'' apresentadas pelo ator, que parecia em estado de graça diante de uma multidão de curiosos, fãs, jornalistas e fotógrafos. Arnold Schwarzenegger tinha motivos de sobra para rir à toa.
Abalada por tropeços durante a última década, sua carreira pode deslanchar novamente - e sedimentar suas ambições políticas em direção à sede do governo da Califórnia. Por conta muito mais do entusiasmo espontâneo do que por obrigações contratuais, o ator encerrou o show ao ar livre com um ''Estou de volta !'' , e ainda deslumbrado com a acolhida dedicou o resto da tarde às entrevistas.
Num amplo salão do sétimo andar do Carlton, o enviado da Folha e de dois jornais europeus aguardaram o ator para uma conversa que não pode se estender muito, já que outros pequenos grupos de jornalistas esperavam a vez. O salão deixou de ser amplo quando Schwarzenegger entrou portando um enorme sorriso e um respeitável charuto já aceso, proporcional ao seu tamanho. Fez questão de ser amável, o sorriso aumenta sem medidas, cumprimenta e a voz troveja aquele esquisito inglês - ainda não poliu inteiramente esta herança austríaca. É muito maior do que parece nos filmes, e ao contrário do esverdeado Hulk (embora sejam parecidos em tamanho...), a cor que predomina é o marron - terno, tenebrosas botas couro de cobra apesar do calor da Riviera, o tom da pele bronzeada-maquiada, dos cabelos impecavelmente tingidos, sem um único fio branco. Senta-se e fica evidente que a poltrona não foi feita para ele. Lembrrei que temos a mesma idade, 55, e as semelhanças param aí. Como primeira impressão geral, é o tipo do sujeito que a prudência recomenda ter como amigo. Como segunda e mais duradoura, a de que ele de fato nasceu mesmo para ser um cyborg com senso de humor mecânico, embora muito autêntico. Inclusive na política. Mas até que foi divertido.
O que representa a volta a este personagem que é o mais marcante de sua carreira?
Fui o primeiro a representar, há quase vinte anos (NR: o primeiro ''Exterminador'' é de 1984), o papel de um robô mutante com inteligência artificial. A princípio não me agradava retornar como uma espécie de replicante de mim mesmo, depois que o cinema duplicou as máquinas e estas mesmas idéias. Mas todos, o público, a imprensa, me perguntavam quando viria a terceira parte. Então resolvi fazê-la e agora reencontro o personagem mais moderno, divertido e até justo.
Na trama desta sequência de ''O Exterminador do Futuro'', seu principal inimigo é um robô-mulher, T-X, interpretado pela ex-modelo norueguesa Kristana Loken. Algum problema, o fato dele ser uma mulher?
Em algumas circunstâncias...(hesita um bom tempo antes de responder). Esta é uma pergunta muito boa, logo merece também uma boa resposta. Mas não tenho uma resposta excitante porque aquela com quem luto não é uma mulher, mas uma máquina. Que se disfarça como mulher encantadora e sexy para se misturar aos humanos sem levantar suspeitas e então eliminar John Connor (NR: o humano que pode salvar o mundo da tirania das máquinas). É muito divertido, porque o público vai ver o modelo de uma mulher-cyborg muito mais sofisticado do que o meu...
De novo os efeitos especiais fazem a diferença...
É claro, afinal são 170 milhões de dólares...Veja a sequência onde os homens tomam banho, divertida e muito brutal. É impressionante como podemos fazer coisas com os efeitos especiais - viu como minha cabeça entra em uma parede de concreto e então eu fico preso? Quando você conhece alguns detalhes tudo fica verdadeiramente fabuloso.
Alguma novidade para o público?
Os melhores efeitos nunca vistos. Prometo a vocês. Além disso, há uma grande história, com grandes atuações, e Jonathan Mostow é um diretor sensacional.
Comenta-se que houve mudanças, por causa do 11 de setembro.
Sim, tivemos que suprimir do roteiro a sequência de um avião que se chocava com um edifício. Não só era muito parecida com aquela tragédia como também era muito cara.
E sua comentada participação na vida política americana?
Agora que o filme está pronto, vou voltar a pensar no assunto. Não podia fazer as duas coisas ao mesmo tempo, fumar e comer, ou fazer ''T 3'' e também política. Quando tenho algum tempo, fumo um cigarro, jogo xadrez e aí sim penso em minha futura carreira política. Mas todas as mudanças, todos os desafios são divertidos, como por exemplo ser o Exterminador e ao mesmo tempo lidar com as 50 crianças de ''Um Tira no Jardim de Infância'' .
É mesmo pra valer sua candidatura ao governo da Califórnia?
Estou pensando e estou interessado, mas isto não significa que estou na corrida. Não tenho um plano específico para lançar-me, mas posso garantir que haverá um ''T 4''. Quanto a garantir que serei candidato, ainda não sei. (NR: a entrevista, como se recorda, foi feita há um mês e meio. De lá para cá, o ator já tornou público sua intenção de concorrer ao governo da Califórnia pelo Partido Republicano)
E as comédias, você se deu bem com comédias. Pensa em fazer outras?
Tenho dois roteiros para aprovar, ainda vou ver. Por enquanto minha atenção é toda para o ''Exterminador'', alguém muito especial em minha vida, um personagem fascinante e que tem muita empatia com o público. Os fãs enlouquecem, o que prova que o público gosta desse tipo de entretenimento. Todas essas máquinas tornando-se tão reais e vingando-se das pessoas, é uma espécie de velha história de Frankenstein. ''Ah, ah, ah'' (ele então interpreta aquilo que diz: ''Eu não criei isto, estão fora de controle...'').
Você não é mais tão jovem como quando iniciou sua carreira, ainda como Mr. Universo. Como anda a forma?
Faço duas horas e meia de academia diariamente. Foi problemático ao fazer o filme, tinha pouco tempo porque tive um acidente de moto três meses antes de começar a filmar, andei me quebrando e não podia me mexer direito. A maquiagem do meu rosto levava duas horas e não podia treinar com aquela cara (risos). Não importam os obstáculos, temos que enfrentá-los e ganhar a batalha. Não ter medo, como dizia Muhammad Ali. É preciso que o corpo se acostume com a dor, e então você poderá rir como eu estou rindo agora.

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