Cinema tem a 'casca' restaurada mas fica sem o 'miolo'
Com a alta do dólar em 2002 e os pesados tributos de importação, o sonho de equipar os cinemas do projeto Velho Cinema Novo com projetores cinematográficos de ponta foi engavetado. A verba de R$ 12 milhões para todos os 13 cinemas se refere apenas à reforma arquitetônica, não cobrindo custos de aquisição dos projetores.
A solução encontrada pela cineasta Berenice Mendes, coordenadora do segmento audiovisual do Velho Cinema Novo, foi a aquisição de projetores digitais profissionais. Segundo a cineasta, o projeto Velho Cinema Novo foi realizado rapidamente no final do ano passado. Posteriormente, quando foram incluir os projetores ao projeto, constataram que ''os equipamentos eram caríssimos''. O valor levantado chegava a R$ 200 mil dólares cada projetor. Além disso, as cidades pequenas teriam custos para aluguel de filmes, transporte de fita, manutenção de programação. Isso tudo com ingressos custando R$ 2,00.
Berenice verificou in loco salas dotadas com esse equipamento em São Paulo e Rio de Janeiro. Agora quer 'linkar' a programação do Canal Paraná com o Velho Cinema Novo, numa parceria com a Copel no uso de fibras óticas, redimensionando o circuito.
Mas no mercado há inúmeras opções de projetores cinematográficos, cada qual com sua faixa de preço. Segundo apurou a Folha2, com a empresa Gilberto Araújo, de Botucatu (SP), que compra com regularidade esse tipo de equipamento, o custo de um projetor pode variar de R$ 105 mil a R$ 175 mil. Com o sistema completo de projeção (sistema de alimentadores, geradores de luz, lanternas, sistema de apoio de filmes, sistema de sons, leitores de sons, entre outros), o preço de um equipamento mais sofisticado pode chegar a R$ 1.225.000,00. Mas dependendo da marca, esse preço cairia para R$ 408 mil. Muitos profissionais da área, das grandes redes de cinema, fazem o reaproveitamento de materiais, montando cabines de projeção com grandes performances. O equipamento adquirido no Brasil, pode sair ainda mais barato.
Os especialistas da área consultados pela Folha2 argumentam que nesse caso as duas atividades principais do projeto cinema e teatro não poderiam ser sacrificadas na execução. Pode-se sacrificar o tipo de piso, um componente da hidráulica, mas não sacrificar a atividade principal.(F.F.)





