São Paulo, 01 (AE) -É um filme do começo da carreira de Pedro Almodóvar. "Labirinto de Paixões", que estréia amanhã (02), não é completamente inédito em São Paulo. Passou em mostras especiais dedicadas ao cineasta espanhol. É anterior a "Maus Hábitos", que também teve lançamento tardio. Basta assistir ao filme para confirmar o quanto Almodóvar evoluiu em sua arte. "Labirinto de Paixões" é horrível, mas não deixa de ser divertido para fãs do diretor.
O próprio Almodóvar aparece de brincos e meia arrastão, metamorfoseado de mulher para cantar uma música de última categoria. É um filme da fase marginal do autor, do início dos anos 80, quando ele tinha ligação com o underground madrilenho, que fervilhava com a chamada "movida" (o período de agitação que se seguiu ao fim do franquismo).
Almodóvar começou maldito e marginal, com filmes ligados à temática homossexual. Seu cinema foi adquirindo densidade (e maturidade) em filmes como "Matador" e "A Lei do Desejo". A partir de "Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos" veio a consagração. Almodóvar andou decepcionando um pouco, mas seu filme mais recente é grande - "Carne Trêmula" talvez seja a obra-prima do cineasta.
"Labirinto de Paixões" é, como diz o título, um filme labiríntico sobre paixões desencontradas. Pega carona em eventos da história recente (daquela época): o advento de Khomeini no Irã. No filme, o herdeiro do Tirã vive incógnito em Madri, perseguido por fanáticos que querem matá-lo. O rapaz, interpretado por Imanol Arias, é bissexual. Numa cena vai para a cama com Antonio Banderas, que faz um gay. Há a ex-imperatriz do Tirã, que faz tratamento para ficar fértil e se chama Toraya (qualquer semelhança com a lendária Soraya é, claro, intencional).
Há todo tipo de sugestão sexual e o filme começa com planos que realçam a genitália masculina que as roupas escondem. A heroína, interpretada pela argentina Cecilia Roth, tem de superar um trauma de infância. Tudo filmado não importa como, com verdadeiros acintes de vulgaridade. É como uma colcha de retalhos, confirmando que a inspiração do jovem Almodóvar era pós-moderna, misturando a alta e a mais baixa cultura. Suas referências incluem citar a música de Nino Rota para "A Doce Vida", de Fellini, como citou a do compositor para Rocco e "Seus Irmãos em Maus Hábitos".

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