CINEMA Quase 3 milhões já viram 'Carandiru'
PUBLICAÇÃO
sábado, 10 de maio de 2003
Carlos Eduardo Lourenço Jorge<br> Especial para a Folha 2 
Ainda comemorando a seleção para a mostra competitiva do Festival de Cannes que começa na próxima quarta-feira, produtores e distribuidores de ''Carandiru'' têm outro motivo forte para muita festa. O filme entra no segundo mês de exibição no País contabilizando números impressionantes. Segundo a assessoria de imprensa da HB Filmes e da Sony Pictures, 2 milhões, 882 mil, 355 espectadores deixaram nas bilheterias R$ 19.714.945,00, o que equivalente a cerca de 6,5 milhões de dólares - a 3 reais a moeda americana, na média das últimas oscilações de mercado. Da terceira para a quarta semana,
o acréscimo no número de espectadores foi de 11 por cento, apesar do mega-lançamento de ''X-Men 2'' favorecido por intenso marketing.
''Carandiru'' está em 260 salas do circuito nacional praticamente inalterado desde a estréia - no Paraná são quatro em Curitiba, duas em Londrina e duas em Maringá. Baseado - e não adaptado - no best-seller ''Estação Carandiru'', de Dráuzio Varella, o sólido drama penitenciário dirigido por Hector Babenco merece cada centavo desta renda. O cineasta nascido em Mar Del Plata e naturalizado brasileiro só porque achou que um estrangeiro não podia denunciar a corrupção policial no Brasil (em ''Lúcio Flavio, o Passageiro da Agonia'', seu terceiro longa, de 1977) faz em ''Carandiru'' um exame preciso sobre a humanidade escondida em seres segregados. Não são monstros nem vítimas da sociedade, mas pessoas envolvidas compulsoriamente num sistema de regras de conduta que até torna possível a convivência pacífica entre homens violentos. ''Carandiru'' é um filme que polemiza porque incomoda.


