CINEMA Os desmandos da grife Disney
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 29 de maio de 2003
Carlos Eduardo Lourenço Jorge<br> Especial para a Folha 2 
Quem quer que visite ''Garota Veneno'' (veja programação de cinema na página 2) por causa desse título brasileiro impróprio que apela inescrupulosamente a uma certa malícia juvenil vai se dar mal. Muito mal. Malícia seria talvez o condimento capaz de tornar esse argumento mais palatável, mas quem assina esta comédia que beira a estupidez preferiu o caminho da grossura e da falta de modos. Essa calamitosa peça de descompostura é veículo ideal para Rob Schneider, um subproduto do ''Saturday Night Live'' que já interpretou um prostituto em ''Gigolô por Acidente'' e um híbrido meio homem-meio besta em ''Animal''. Ele agora está novamente dividido.
Em ''The Hot Chick'' ele interpreta um ladrão de quinta, na faixa dos 30, que de repente se vê ''aprisionado'' no belo corpo, na faixa dos 18, de uma arrogante garota chefe de torcida (Rachel McAdams). E ela no dele. Como isso ocorre não tem a mínima importância - alguma coisa a ver com a maldição de um anel lá nos confins da pré-história etíope. Com a presença ainda de Adam Sandler na produção executiva e também em pequeno papel não creditado, era mesmo de se esperar que o humor não fosse exatamente sutil. No decorrer da trama, a pretexto de tentar colher aqui e ali lições sentimentais de humildade e compreensão mútua entre os sexos, as anedotas que surgem estão relacionadas assim: ereções, a maneira como os homens urinam, corpos e pelos, pênis, gays, lésbicas, incesto...
Quando muito, ''Garota Veneno'' não vai provocar nada além de fria aversão nas platéias com um nível mínimo de exigência. A não ser, claro, que você ache a idéia de Schneider um hilariante ovo de Colombo. E o que é afinal mais degradante é a associação da marca Disney a uma realização de ínfima qualidade, mesmo considerando a divisão adulta da produtora.


