CINEMA Nelson Freire por inteiro
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sexta-feira, 02 de maio de 2003
João Luiz Sampaio<br> Agência Estado 
Nelson Freire diz que gostou do que viu nas telas. O pianista brasileiro, tema do novo documentário de João Moreira Salles, que estreou em São Paulo no dia 1º, confessa até que se divertiu com o processo de filmagens. ''No fim gostei, depois dos dois anos de filmagens, até senti falta da equipe'', brinca. ''Eles me deixaram muito à vontade e o processo acabou sendo muito menos doloroso do que eu imaginava, em nenhum momento me senti invadido ou coisa do tipo'', disse ele, poucas horas antes da pré-estréia paulistana do filme, na semana passada.
Além do supremo talento musical - que lhe rendeu prêmios e consagrações pelos palcos mundo afora -, Freire é conhecido pela timidez. Não fala, ou fala pouco. Repete sempre que o foco deve ser a música, jamais o intérprete. ''É difícil explicar. Aliás, para mim, é difícil dizer qualquer coisa...'', ele brinca. E diz que foram justamente nos momentos em que dá depoimentos que mais sofreu. ''Quando tenho de falar, é um problema. Fiquei nervoso, mal dormi na noite anterior à gravação dos depoimentos. Mesmo agora, tenho vergonha de me ver na tela, acabo saindo da sala em todos os momentos em que apareço.''
O reconhecimento ao talento de Nelson Freire é antigo, mas nos últimos anos ele tem estado cada vez mais em evidência. Há o filme e também o disco lançado no ano passado, o primeiro de uma série dedicada a Chopin que ele prepara para a Decca. E, nas últimas temporadas, ele tem aparecido com mais frequência em palcos brasileiros, não apenas em São Paulo e Rio, mas também em outras cidades do Sul e Norte do País.
Este ano, em São Paulo, Freire já abriu a série de assinaturas do Teatro Municipal; no dia 12, toca com a Sinfônica Giuseppe Verdi de Milão no Cultura Artística, sob regência de Riccardo Chailly; e, nos próximos meses, marca presença nas programações da Tucca e da Osesp. ''Vai ser uma tocação'', ele brinca, para logo depois afirmar que tocar no Brasil ''tem um significado especial, afinal você está tocando para a sua gente''.
Freire divide atualmente seu tempo entre suas casas no Rio e na França. ''Na verdade, meu tempo vai sendo dividido sem que muitas vezes a gente perceba.'' Antes de lançar o filme em São Paulo, na semana passada, ele esteve em Paris e em Tóquio. Ficou por aqui alguns dias e voltou para a Europa. ''Esta época, de abril a outubro, costumava matar os pianistas de fome, porque as temporadas na Europa estavam paradas. Agora, há os festivais, a América Latina. Há muitas opções, demais até, nos grandes centros'', diz.


