Curitiba - A diretora Tata Amaral ficou surpresa com a recepção que o seu filme - Antônia - teve em Berlim. O longa-metragem que acaba de estrear no Brasil foi exibido na mostra Generation 14plus, que encerra hoje, na Alemanha. Em entrevista exclusiva à Folha2, por telefone, Tata contou que o filme foi exibido para os críticos com a sala lotada e na sessão seguinte, o público voltou a lotar o espaço. ''As meninas cantaram no final da exibição e a recepção foi ótima''. Já aqui no Brasil, o filme que conta a saga de quatro cantoras de hip hop ''tem ido bem em alguns cantos e mal em outros'', conforme analisa a diretora. ''Mas não tenho a mínima idéia do motivo'', revela.
Tata começou a pensar no argumento de ''Antônia'', em 2000. Foi a partir dessa época que ela mergulhou num processo de investigação sobre a periferia paulista e o universo musical hip hop. ''Essa cultura motivou o filme. Eu queria mostrar o empenho das pessoas de se afirmarem para a sociedade e para si. Isso me tocou desde o início'', destaca. Na busca de afastar o estigma de uma periferia violenta, Tata se aproximou de moradores e de acontecimentos reais para desenhar o roteiro.
A história se passa na Vila Brasilândia, na periferia de São Paulo. Lá, quatro jovens mulheres negras batalham pelo sonho de viver da música, mas ao mesmo tempo tem que conviver com uma realidade difícil. Antes mesmo de virar longa, a história já tinha sido apresentada em formato de minissérie, exibida pela Rede Globo. A diretora acredita que a exposição da história antes mesmo da estréia do longa-metragem ajudou a divulgar o filme. ''Quando Antonia estreou todo mundo já conhecia o projeto e isso foi um ganho'', analisa.
O filme fecha uma trilogia iniciada por Tata Amaral, em 1997, com ''O Céu de Estrelas'' e seguida por ''Através da Janela''. Os três filmes tratam das arquétipos femininos e dão uma visão bastante peculiar do tema. ''Com 'Antonia' eu encerro a trilogia, mas acho que é um ciclo parecido com a vida, com nascimento, crescimento e morte. Depois, tudo pode começar outra vez e daqui um tempo, posso retomar essa temática'', diz a diretora.
Mas o projeto ''Antonia'' não se encerra no filme. A série de mesmo nome deve ganhar nova temporada no segundo semestre deste ano e antes disso deve acontecer o lançamento de um livro de contos também com o mesmo nome. São 42 histórias curtas inspiradas em fatos presenciados pela diretora enquanto duraram as filmagens do longa. ''São fragmentos do que vivemos lá'', adianta.
E a diretora ainda acumula novos projetos. Um deles é um roteiro, que já está concluído, assinado por Jean-Claude Bernadet e Rubens Revalde que entrelaça duas peças teatrais: ''Prova Contrária'', de Fernando Bonassi e ''Galeria Metrópolis'', de Mauro Viana. O filme deve se chamar ''Hoje''. O segundo projeto cinematográfico da diretora tem o título de ''Bagdá'' e é uma adaptação do livro de Ana Carolina Alves de Souza. Os dois projetos ainda estão em fase de captação.

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