Nouvelle Vague:
40 Anos (parte 2)
No final dos anos 60, os críticos de cinema do ‘‘Cahiers du Cinéma’’ começaram a combater o que eles chamaram de ‘‘Tradição de Qualidade’’, que caracterizava a Velha Guarda do cinema francês. Cineastas como Marcel Carné ( Os Visitantes da Noite) e Claude Autant-Lara (O Vermelho e o Negro) eram acusados pela turma do ‘‘Cahiers’’ de fazer um cinema acadêmico e ultrapassado. Já Jean Renoir (A Carroça de Ouro) e Robert Bresson (As Damas do Bois de Bologne) eram respeitados pela revista, pois faziam um cinema criativo apesar de tradicional. Também Jean Cocteau (Orfeu) era admirado pela revista, assim como Jacques Tati (Meu Tio), apesar de serem cineastas mais conservadores.
E quem eram os críticos do ‘‘Cahiers du Cinéma’’ que provocaram toda esta revolução no cinema francês? Simplesmente se chamavam Jean-Luc Godard, François Truffaut, Claude Chabrol, Jacques Rivette e outros. Ao passaram à direção, estes críticos fizeram filmes anti-convencionais e anti-conformistas, quebrando com a Tradição de Qualidade que combatiam.
Quais foram estes filmes? Em 1959, Godard realizou ‘‘O Acossado’’ , Truffaut realizou ‘‘os Incompreendidos’’ e Chabrol realizou ‘‘Os Primos’’, filmes que revolucionaram a insípida linguagem cinematográfica do cinema francês tradicional.
Neste ínterim, dois cineastas fizeram obras também renovadoras, apesar de não serem da turma dos ‘‘Cahiers’’: Alain Resnais, com ‘‘Hiroshima, meu amor’’ e Louis Malle, ‘‘Os Amantes’’, filmes que também contribuiram para a transformação do cinema francês na chamada ‘‘Nouvelle - Vague’’.
A Nouvelle - Vague (Godard, Truffaut, Chabrol, Resnais e Malle) inspirou a renovação do cinema no mundo todo, haja visto o nosso cinema-novo brasileiro e o novo cinema inglês. Se cineastas como Glauber Rocha (Terra em Transe) e Ruy Guerra (Os Cafagestes) renovaram o cinema brasileiro, foi porque tinham como modelo o jovem cinema francês. O mesmo aconteceu na Inglaterra, onde Tony Richardson (Um Gosto de Mel) e Karel Reisz (Tudo Começou num Sábado) imitaram a Nouvelle-Vague e fizeram a revolução do cinema inglês.
Hoje, passados 40 anos, a Nouvelle - Vague continua ainda atual, e seus filmes não ficaram datados pelo tempo, continuam a inspirar os novos cineastas mundiais.

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