Cinema Moderno (Lélio Sotto Maior Jr.)
O Processo de Jeane DArc
São as seguintas as 10 melhores críticas do Cahiers du Cinema da época de ouro (1958/1963):
1) A Hélice e a Idéia de Eric Tohmer sobre Vertigo de Hitchcock;
2) Dans la Dedale, de François Weyergans sobre O Ano Passado em Mariembad de Resnais;
3) A Dificuldade de Ser de Jean-Luc Godard, de Jean-Andre Fieschi sobre Viver a Vida de Godard;
4) La Morte Blanche (A Morte Branca) de Jean-Louis Comolli sobre Tempestade Sobre Washington de Preminger;
5) Hatari de Hawks por Jean Douchet;
6) O Gênio da Análise de Jacques Jolly sobre Exodus de Preminger;
7) Os Turbilhões Elementares de Micel Delahaye sobre Jules et Jim de Truffaut;
8) A Arte do Presente de Jacques Rivette sobre O Clamor do Sexo de Kazan;
9) O Vermelho e o Verde de Jean Douchet sobre Os 4 Cavaleiros do Apocalipse de Minelli;
10) O Outro Além de Comolli sobre O Processo de Jeane DArc, de Robert Bresson.
Já iniciando sua crítica sobre o filme extraordinário de Bresson, Coolli adverte: Eis aqui que se abre a nós, com O Processo de Jeane DArc, uma outra arte, um outro mundo. E realmente o filme (exibido recentemente no Festival Bresson da Cinemateca) mereceu as cinco laudas de pura fenomenologia, escritas pelo sagaz Comolli, pois Bresson nunca realizou um filme tão rico do ponto de vista cinematográfico (e ontológico) quanto o seu Processo de Jeane DArc, um máximo denominador do cinema poético.
Filme fantasmagórico por força de ser híper-realista, o Processo de Jeane DArc filma a alma pela porta mais estreita: pelo corpo. Filme fantástico por força de ser neo-realista, ele atinge ao espectador pelo que tem de mais visceral; a emoção. Filme surrealista por força de ser banal, O Processo de Jeanne DArc vai direto ao coração do espectador, sem artifícios ou forças complementares. Filme fogo por força de ser água, O Processo de Jeanne DArc é o primeiro filme alquímico da história do cinema.





