Orfeu

Se Eisenstein fez a primeira utilização estrtural da montagem em ‘‘Potemkim’’, se Max Ophuls fez a primeira utilização estrutural do travelling circular (movimento de câmera) em ‘‘Lola Montez’’, se Elia Kazan fez a primeira utilização estrutural do Cinemascope em ‘‘Vidas Amargas’’, se Godard fez a primeira utilização estrutural do take (tomada) em ‘‘O Acossado’’, se Preminger fez a primeira utilização estrutural do Technicolor em ‘‘Bonjour Tristesse’’, Carlos Diegues fez a primeira utilização estrutural da Panavision em ‘‘Orfeu’’. Poucas vezes se viu um nível visual tão lindo quanto neste último Diegues.
Refilmando o oscarizado ‘‘Orfeu do Carnaval’’, Diegues provou que continua um de nossos melhores cineastas. Um ‘‘movie-maker’’ com Olho Mágico aberto para a realidade.
O nível encantatório de ‘‘Orfeu’’ é realmente impressionante, lembrando aquela ‘‘Imagia’’ (como diria o genial José Lino Grunewald), sobre ‘‘2001’’ de Kubrick.
O signo chinês de Diegues é Dragão (nascido em 1940), e o seu ‘‘Orfeu’’ é todo chama imagética, incandescência visual de primeiro grau.
‘‘Se ‘‘Bye Bye Brasil’’ era, até agora, o seu melhor filme, com ‘‘Orfeu’’, Diegues realizou sua obra-prima, pois o filme é um dos mais belos do cinema contemporâneo.

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