Chris Columbus, o diretor do filme ‘‘Lado a Lado’’, em cartaz em Curitiba, é um cineasta que pode se chamar de Lightly Likable (levemente agradável), categoria que o crítico americano Andrew Sarris (autor de ‘‘The American Cinema’’) abriu para colocar aqueles cineastas que, segundo ele, ‘‘são irregulares, mas redimidos pela graça da despretenciosidade’’. Enfim, um cineasta de puro divertimento.
O mais famoso dos likables é o cineasta Delmer Daves, autor do delicioso ‘‘O Candelabro Italiano’’, um filme que agradou multidões no início dos saudosos sessenta. Outro que também é likable é o cineasta George Sidney, autor de ‘‘Amor a Toda Velocidade’’ e ‘‘Bye Bye Birdie’’ (ambos com a esfuziante Ann Margret). Também poder-se-ia citar o famoso Michael Curtiz (‘‘Casablanca’’, ‘‘Robin Hood’’, ‘‘Capitão Blood’’).
Columbus é um likable notório. Seus filmes são pura diversão, sem maiores pretensões artísticas e/ou estéticas, haja visto ‘‘Esqueceram de Mim’’ e ‘‘Uma Babá Quase Perfeita’’. Seu mais recente filme, ‘‘Lado a Lado’’ (The Stepmother), apenas diverte e agrada, sem exigir nada do espectador. É um filme 100% hollywoodiano, na velha tradição da comédia romântica e suavemente adocicada. É um filme cuca-fresca ao qual se assiste com enorme prazer, o típico filme feito para o lazer do espectador.
Por outro lado, seria injustiça negar que o diretor Columbus tem um certo craftmanship (artesanato), isto é, técnica cinematográfica. E também não se pode negar que, desta vez, o diretor foi menos ingênuo e revelou uma certa evolução. Pois, além de likable, o filme é ligeiramente introspectivo e denso. Mas tudo por conta do divertimento sadio, que é uma das características do cinema americano.

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