Cinema Moderno (Lélio Sotto Maior Jr.)
Reprisado recentemente na Cinemateca de Curitiba, A Aventura de Michelangelo Antonioni continua a ser, 40 anos após a sua realização, um dos mais belos filmes do cinema.
Antonioni cria, através do silêncio e da calma ambiental, verdadeiros paraisos mentais para o espectador. Neste sentido, o filme lembra aquela serenidade de Contos da Lua Vaga, de Kenji Mizuguchi. Tudo é traçado com tanta leveza e delicadeza harmônica que quase perdemos a respiração.
Antonioni é realmente um cineasta moderno. Seus filmes são feitos para serem pressentidos mais do que sentidos, respirados mais do que olhados simplesmente. Por isto muita gente já comparou o seu cinema ao método fenomenológico. Antonioni nos oferece aparências mais do que essências (sejam elas psicológicas e/ou sociológicas).
É de se ver a suprema graça dos enquadres, a beleza quase translúcida dos takes. Para quem entende o cinema telegráfico, abstrato, elíptico do cineasta, ver ou rever LAvventura é uma experiência cinematográfica inesquecível, pois, mais do que em A Noite, O Eclipse e o Deserto Vermelho, Antonioni fez um trabalho único, que, para muitos, inaugurou o cinema contemporâneo, com uma nova maneira de filmar e de cinematografar. Um filme que ainda hoje guarda o seu mistério, a sua aura, o seu encantamento, a sua peculiaridade.
Esperamos que logo o filme seja lançado em vídeo no Brasil para podermos reapreciá-lo várias vezes. E parabéns à Cinemateca por ter nos oferecido, já no início do ano, um presente tão precioso.





