1) Cinderela em Paris (Funny Face), de Stanley Donen
Funny-filme, sunny-filme, stanley-filme. Só Donen - a quintessência da sotisficação cinematográfica - poderia ter feito um filme tão ‘‘elegante’’. O primeiro musical sobre a moda ou a primeira moda sobre o musical, um filme-givenchy.
2) Ladrão de Casaca (To Catch a Thief), de Alfred Hitchcock
Se o ‘‘technicolor’’ pode ser considerado uma estética, este filme chega perto da invençãopura, com a utilização mais brilhante já feita do colorido pelo cinema: um filme ‘‘banho de luxo’’, ‘‘banho de luz’’, irradiando luxúria.
3) Bom Dia Tristeza (Bonjour Tristesse), de Otto Preminger
O primeiro filme a trabalhar com a própria essência do cinema, ou seja, com a dialética do preto-e-branco x colorido, numa homenagem do cinema a si-próprio ou à sua grandeza, isto é, à sua miséria, tristeza sonoro-visual.
4) Muriel, de Alain Resnais
Filme híper-realista, filme ‘‘Grande Hotel’’, filme-cartoon, filme mágico, filme álbum, filme-loucura, filme-sonho, filme-neón, filme memória. Mas sobretudo filme ‘‘cotidiano’’, como só um Picasso pode ser.
5) O Deserto Vermelho (Il Deserto Rosso), de Michelangelo Antonioni
Dentro do deserto existe o cinema, isto é, o oásis, isto é, o cinema, isto é, o oásis, isto é, o cinema.
6) O Leopardo (Il Gattopardo), de Luchino Visconti
Nos rostos, nos salões de bailes, nos espelhos, nas ruas, uma câmera passeia, metamorfoseando e eternizado tudo o que toca, com a sua efêmera luminiscência parda.
7) Masculino-feminino (masculin-faminin), de Jean-Luc Godard
Filme masculino, filme feminino, filme neutro, androginia cinematográfica, como se fosse possível filmar o sexo sem o sexo, ou seja, o complexo, a ‘‘nostalgia’’ de uma certa adolescência para sempre perdida (ganha?).
8) A Sereia do Mississipi (La Syréne du Mississipe), de François Truffaut
O primeiro filme hollywoodiano feito na Europa ou o primeiro filme europeu feito na América, uma ‘‘Nouvelle-Vague’’ que se quer ainda viva hoje, ontem e amanhã, aqui, lá e acolá, ‘‘au delᒒ de uma Hollywood também eterna.
9) Duas Garotas Românticas (Les Mademoiseles de Rochefort), de Jacques D’emy
Filme minnelliano, filme doneniano, filme max-ophulsiano, filme george-sidneyano, filme premingeriano, filme gene-kellyano, filme charles waltersiano, mas principalmente filme rcihard quineano.
10) Le Silénce, de Ingmar Bergman
Afinal de contas, tinha que entrar um do Bergman, vocês não acham?

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