Cinema Moderno
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 18 de dezembro de 1998
Lélio Sotto Maior Jr. 
O cinema de Losey aproxima o intelectualismo pragmático americano do cerebralismo crispado dos europeus, numa proposta quase que impossível de universalidade da arte, que pode se aproximar assim de um complicado quebra-cabeças ou de uma alógica partida de xadrez. Esta busca de universalidade da arte e do cinema levou o cineasta americano a realizar o projeto difícil de um cinema globetrotter, mercuriano, incansável, viajante, sem paradas ou sem fronteiras: um filme em cada estação, seria o slogan do cineasta segundo o gênio da música pop, David Bowie.
O internacionalismo notório de Losey (filmes nos EUA, Inglaterra, Itália, França e Holanda) é uma decorrência lógica desta aposta na universidade mercuriana da arte e de transnacionalidade do cinema.
Os melhores filmes do americano Losey são os que ele realizou na Inglaterra (O Criado), na Itália (Eva), na Holanda (Modesty Blase) ou na Inglaterra novamente (Cerimônia Secreta) e na Itália novamente (O Homem que veio de Longe).
De repente, o universalismo abstrato de Losey se transformou em concreto internacionalismo, um cinema do mundo, um cinema além das nações ou países, no belíssimo A Inglesa Romântica ou no magiconírico O Mensageiro.
E mesmo quando Losey está filmando num décor de um país determinado, pela própria força do universalismo que é a sua aposta e pelo decorrente internacionalismo que é a sua meta, este Décor ou esta paisagem ficam estranhos cosmopolitas e loseyanamente universais. É o caso do Mediterrâneo impalpável e indeterminado do O Homem que Veio de Longe ou da Inglaterra nórdica (e bergmaniana) de O Mensageiro ou da Veneza transparente e intocável, misteriosa e enigmática de Eva ou então a Amsterã-pop & op de Modesty Blaise.


