O cinema de Louis Malle define, na sua busca de erotismo e liberdade individual, ou individualista, os limites da arte cinematográfica para expressar o ‘‘ego’’ humano em toda sua beleza e contundência.
Jeanne Moreau é puro ‘‘ego’’ e anarquia em ‘‘Ascensor para o Cadafalso’’ e ‘‘Os Amantes’’, o mesmo para Brigitte Bardot em ‘‘Viva Maria’’ e ‘‘Vida Privada’’, Maurice Ronet em ‘‘30 Anos esta Noite’’ ou Brooke Shields em ‘‘Pretty Baby’’.
Através da liberdade existencial de seus atores e de seus ‘‘desregramentos’’ pessoais ou de suas ‘‘disponibilidades’’ espirituais, Malle realizou o sonho de um cinema ‘‘livre’’, de um cinema ‘‘liberto’’ ou de um cinema ‘‘anárquico’’, homenagem à liberdade de comportamento humano.
A odisséia espiritual e existencial de seus personagens os conduz finalmente ao abismo e ao suicídio (Cf. ‘‘Vie Privée’’ e ‘‘30 Anos Esta Noite’’) só para fazer-nos lembrar da urgência de viver e de amar livremente (Cf. ‘‘Les Amants’’ e ‘‘Pretty Baby’’) sem inibição ou entraves morais.
Este ingênuo existencialismo só poderia levar ao hedonismo e é dele que Malle se aproxima em ‘‘Lacombe Lucien’’ e também em ‘‘Viva Maria’’, hommage do cineasta à louca alegria de viver assim como a euforia intermitente de ‘‘Zazie Dans metro’’ (a obra-prima do cineasta e um dos grandes filmes inventivos do cinema moderno), hino à liberdade da criança num mundo sem esperança.
Mais ainda característicos de Malle são a sua defesa do ‘‘amour fou’’ em ‘‘Os Amantes’’ e em ‘‘Atlantic City’’ e seu individualismo rebelde em ‘‘Lacombe Lucien’’ e ‘‘Ascensor para o Cadafalso’’.
Se o cineasta ainda não realizou o seu ápice, não estava longe disto no desespero sóbrio e pudico de ‘‘Trinta Anos esta Noite’’ ou na loucura disciplinar e sem deslizes de ‘‘Vida Privada’’. Finalmente ‘‘Pretty Baby’’, que é uma síntese de ‘‘Zazie’’ com ‘‘Les Amants’’, é o suprassumo do erotismo inocente e infantil de Malle. Antes de tudo um cineasta adolescente (Cf. ‘‘Viva Maria’’) ou perto do coração selvagem da vida (Cf. ‘‘Lacombe Lucien’’).

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