Cinema Moderno - Lélio Sotto Maior Jr.
O cinema tem, historicamente, três momentos básicos: 1º) Cinema Mudo; 2º) Cinema Sonoro; 3º) 2001, de Stanley Kubrick.
2001 supera todas as contradições e limitações do cinema conhecido: é, ao mesmo tempo, uma fantasia (Walt disney) e um documentário (Jean-Luc Godard); um filme de autor (Stanley Kubrick) e um filme de equipe (engenheiros da Nasa); um filme-de-arte de vanguarda e um filme industrial-comercial; um filme americano (Hollywood) e um filme europeu (Nouvelle Vague); um Desenho Animado e um filme filmado; uma ficção científica e um documentário antropológico.
Se, conforme enuncia André S. Labarthe, a dialética base do cinema é a simplicidade do documentário (Louis Lumiére) aliada à complexidade da ficção (Georges Melies), então 2001 (assim como certas experiências de Godard) se aproxima da síntase.
Aquilo que os cineastas de vanguarda europeus (Resnais, Bergman, Antonioni, Bu¤uel, Fellini e outros) esboçaram - a superação da antítese documentário versus ficção - Kubrick e os engenheiros da Nasa efetivaram estruturalmente.
A sequência do Mais Além do Infinito é o maior impacto técnico e estético do cinema, superando até mesmo aquela sequência de O Ano Passado em mariembad, de Alain Resnais, com Delphyn Seyrig batendo as asas sob estampidos de luz, ou então a sequência fascinante de Vertigo, de Alfred Hitchcock, com Kim Novak e James Stewart sendo filmados circularmente. Por sinal, 2001 é uma reampliação cósmica de Vertigo (mistério e fascínio) e de O Ano Passado em Mariembad (enigma e quebra-cabeça).





