Cinema Moderno - Lélio Sotto Maior Jr.
Uma Carta de Amor
Só uma indústria de 80 anos poderia oferecer um produto acabado como este ‘‘Uma Carta de Amor’’, de Luis Mandoki, pois o nível de acabamento industrial do filme é desconcertante, deixando o espectador pasmo diante de tanta beleza visual. Um cine-espetáculo feito a partir do mais rigoroso trabalho de equipe e profissionalismo. O nível técnico enfim é dos mais arrasadores, pois poucas vezes se viu no chamado ‘‘cinema comercial’’ tanto nivel de perfeccionismo artístico.
Durante mais de duas horas de projeção, degustamos o que de melhor está oferecendo o cinema de hoje, o cinema do final dos 90, a Hollywood contemporânea, que chegou à maturidade industrial realmente invejável. Um filme romântico que lembra clássicos como ‘‘Suplício de uma Saudade’’ (Love is the Many Splendor Thing’’ do veterano Henry King; ou então o encantador ‘‘Tarde Demais para Esquecer’’ (An Affair to Remember) do genial Leo McCarey; ou então o adorável ‘‘Melodia Imortal’’ (The Eddy Duchin Story) do ótimo George Sidney.
‘‘Uma Carta de Amor’’ é um filme para ser visto com o coração e não com o cérebro pois, como todo melodrama, é um cinema de coração partido.
Mandoki deu a prova-dos-nove de sua competência e da singeleza de sua visão do mundo mostrando, mais uma vez, que nem só de cinema-de-arte ou de cinema-de-vanguarda vive o cinema. Afinal de contas, ele é antes de tudo um espetáculo cinematográfico para ser consumido por milhões de espectadores.
‘‘Uma Carta de Amor’’ é um filme que encanta até o mais exigente dos espectadores com suas colorações estupendas, com seus enquadramentos de luxo, com seu nivel de artesanato admirável.

mockup