Cinema Moderno - Lélio Sotto Maior Jr.
Cinema Moderno - Lélio Sotto Maior Jr.
Lembrando
José Lino Grunewald
José Lino Grunewald foi nosso primeiro crítico-de-cinema a ter uma visão estrutural. Nas páginas do modesto Jornal de Letras, Zé Lino mantinha uma coluna-de-cinema que foi a primeira a reconhecer a novidade da Nouvelle-Vague.
O inicial artigo de peso de Grunewald foi uma abordagem fenomenológica de Hiroshima, Mon Amour de Alain Resnais. O texto é tão experimental que deixou de quatro toda uma geração de cinéfilos.
Em seguida, uma crítica de Acossado, de Jean-Luc Godard, confirmou o alto nível intelectual do crítico. Mas foi com Mariembad - Inauguração de uma Linguagem, a propósito de O Ano Passado em Mariembad, de Alain Resnais, que Lino consagrou-se nosso melhor crítico.
Logo em seguida, um texto teórico, Cinesfera, onde apresentou Os Pilares do Cinema - 1) O Ano Passado em Mariembad; 2) Cidadão Kane; 3) Luzes da Cidade; 4) Outubro; 5) Jules et Jim e outros - onde Grunewald concretizou o que chamava a sua visão de processo cinematográfico.
Ao mesmo tempo que era crítico de vanguarda, José Lino soube compreender a grandeza do cinema americano, tendo escrito um excelente artigo sobre Os Pássaros, de Hitchcock. E outro também excelente sobre o cinema-novo de Glauber Rocha (Deus e o Diabo na Terra do Sol).
Ainda a favor do crítico, um enfoque todo especial para o cinema intimista e abstrato de Antonioni (A Aventura/A Noite/ O Eclipse). E um artigo inesquecível chamado Jules, Jeanne e Jim, sobre Jules et Jim, de François Truffaut.
Sempre lúcido e sagaz, José Lino Grunewald pode ser considerado um dos melhores críticos-de-cinema dos anos 60, um crítico genial, elevando a crítica de cinema à sua expressão máxima.





