Cinema Moderno - 17
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 02 de outubro de 1998
Lélio Sotto Maior Jr. 
Brian de Palma despontou no cenário mundial em 1974 com o surreal O Fantasma do Paraíso, uma espécie de versão psicodélica de O Fantasma da Ópera. Já ali uma vingança contra o cinismo e a desumanidade. Em seguida, com o mágico Estranha Obsessão, havia um clima hitchcockiano que lembrava o fascinante Vertigo (Um Corpo que Cai). Logo em seguida realizou o terrível Carrie, a Estranha, que trazia uma lição para não esquecer: não se brinca impunemente com os puros.
Com Fúria fez um de seus melhores filmes, um ensaio telequinético sobre a percepção extra-sensorial. Já com Vestida para Matar, De Palma fez um thriller assustador, um show intermitente de sadomasoquismo. Com Blow-Out, fez um filme quase experimental, um estudo da fenomenologia da percepção. Já com o ótimo Dublê de Corpo, De Palma deixou bem clara a sua admiração por Hitchcock. O filme era um misto-quente de Janela Indiscreta com Vertigo.
Em seguida, uma homenagem a uma das melhores séries da TV americana, Os Intocáveis. Com Scarface, De Palma fez um filme visceral e ultraviolento, uma verdadeira tempestade de élans. Depois, parece que De Palma cansou de ser um gênio e fez uma série de fracassos: Pecado de Guerra, Fogueira das Vaidades, Síndrome de Caim e Missão Impossível.
Finalmente De Palma voltou à boa forma com o seu recente Os Olhos da Serpente, (em cartaz em Curitiba) uma volta aos bons tempos, quando De Palma era um cineasta de respeito.
Porque Os Olhos da Serpente traz todo aquele complexo cinético-visual que caracteriza o estilo De palmiano. O uso telegráfico do spleet-screen (técnica de divisão da tela em duas partes), já na - sublime - apresentação, é complementada por um jogo motovisual (como o chamaria José Lino Grunewald, nosso crítico maior) através das extensões dos circuitos integrados das televisões, criando um razlle-dazlle visio-sonoro brilhantemente formulado.
Sem dúvida nenhuma, um dos melhores filmes dos últimos tempos, só perdendo, na filmografia do autor, para a metalinguagem instigante de Dublê de Corpo e para o tour-de-force que foi o eletrizante Carrie, a Estranha.


