Para os críticos do ‘‘Cahiers du Cinema’’ - que criaram a célebre ‘‘Politique des Auteurs’’ (Política dos Autores) - o problema básico da Mise-en-Scéne é o seguinte: quem é que faz a melhor Mise-en-Scéne, quem é que trabalha mais criativamente com a Mise-en-Scéne, quem é que tira nota 10 em tomada genial, quem é que faz o enquadre - take - mais inventivo. Enfim, quem é que faz render mais funcionalmente a tal da Mise-en-Scéne.
Para eles, é Hitchcock nos EUA, Resnais e Godard na França, Antonioni na Itália, Bu¤uel na Espanha, Bergman na Suécia, Kurosawa no Japão, Glauber no Brasil. Por que? Porque eles são os melhores metteurs-en-scéne’’ do mundo, os que têm o melhor emprego da câmera, do enquadramento, do travelling (movimento de câmera), da montagem, do campo/contracampo, do flou etc.
Pois mise-en-scéne é, em última palavra, sinônimo de Linguagem Cinematográfica, e suas virtudes e/ou possibilizações. Isto não impede de formular ‘‘mise-en-scéne’’ também como uma maneira muito peculiar de filmar o mundo.
Finalmente, para o crítico francês Jean-Louis Commolli do ‘‘Cahiers’’ - também crítico de jazz - a mise-en’scéne só tem todo o seu significado com Otto Preminger ou nas suas próprias palavras: mise-en-scéne (terme qui n’a tout son sens qu’avec Preminger) (‘‘Cahiers du cinéma’’ 150/51, Numero Special du Cinema Americain).
Ou seja: mise-en-scéne (termo que não tem todo o seu significado senão com Preminger). Commolli nos oferece assim uma pista importante para a compreensão do que é mise-en-scéne e seu mistério estético.

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