Cinema moderno - 12
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 21 de agosto de 1998
Lélio Sotto Maior Junior 
Segundo Andrew Sarris, crítico do Village Voice (pasquim do bairro boêmio Greenwich Village, de Nova York), Orson Welles é um dos Diretores do Panteon, ao lado de John Ford, Charles Chaplin e Howard Hawks. Também, segundo o mesmo Sarris, Cidadão Kane é o filme que influenciou mais decisivamente o cinema americano desde Nascimento de Uma Nação, de Griffith.
Por outro lado, Godard um vez, se referindo a Welles, disse: Todos, sempre, lhe devem tudo.
Já segundo o crítico carioca José Lino Grunewald, Cidadão Kane é - nada mais nada menos - o segundo filme do que Zé Lino chama de processo, uma espécie de visão macro-estrutural do cinema. O primeiro lugar ficou com O Ano Passado em Mariembad, de Alain Resnais, e o terceiro com o inefável Luzes da Cidade, de Chaplin.
Onde reside a tão decantada originalidade de Cidadão Kane? Inicialmente, na redescoberta da câmera de Murnau (ainda segundo Sarris), depois na acronologia do filme (segunda Grunewald).
Enfim, pode-se falar principalmente do uso revolucionário do flashback (volta ao passado) e da narrativa antilinear, rompendo com o conceito tradicional de começo-meio-fim. O Cidadão Kane é, por outro lado, um filme que exige múltiplas revisões, pois não se esgota numa única visão. Ou, como diria o poeta: A thing of beauty is a joy for ever (algo de belo é uma alegria para sempre).


