Segundo Andrew Sarris, crítico do ‘‘Village Voice’’ (pasquim do bairro boêmio Greenwich Village, de Nova York), Orson Welles é um dos ‘‘Diretores do Panteon’’, ao lado de John Ford, Charles Chaplin e Howard Hawks. Também, segundo o mesmo Sarris, ‘‘Cidadão Kane’’ é o filme que influenciou mais decisivamente o cinema americano desde ‘‘Nascimento de Uma Nação’’, de Griffith.
Por outro lado, Godard um vez, se referindo a Welles, disse: ‘‘Todos, sempre, lhe devem tudo’’.
Já segundo o crítico carioca José Lino Grunewald, ‘‘Cidadão Kane’’ é - nada mais nada menos - o segundo filme do que Zé Lino chama de ‘‘processo’’, uma espécie de visão macro-estrutural do cinema. O primeiro lugar ficou com ‘‘O Ano Passado em Mariembad’’, de Alain Resnais, e o terceiro com o inefável ‘‘Luzes da Cidade’’, de Chaplin.
Onde reside a tão decantada originalidade de ‘‘Cidadão Kane’’? Inicialmente, na redescoberta da câmera de Murnau (ainda segundo Sarris), depois na acronologia do filme (segunda Grunewald).
Enfim, pode-se falar principalmente do uso revolucionário do flashback (volta ao passado) e da narrativa antilinear, rompendo com o conceito tradicional de ‘‘começo-meio-fim’’. O ‘‘Cidadão Kane’’ é, por outro lado, um filme que exige múltiplas revisões, pois não se esgota numa única visão. Ou, como diria o poeta: A thing of beauty is a joy for ever (algo de belo é uma alegria para sempre).

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