Cinema japonês dos anos 90
Zeca Corrêa Leite
A Cinemateca de Curitiba apresenta durante uma semana - a partir desta quinta-feira até quinta da próxima semana - a Mostra do Cinema Japonês. Os sete filmes a serem exibidos são produções de alguma maneira recentes - todos eles foram produzidos nos anos 90. O mais antigo é de 1991 e o mais recente de 1995.
A promoção é do Consulado Geral do Japão, em Curitiba, com a Fundação Cultural de Curitiba. Todos os títulos são legendados em português. Sessões às 18h e 20h30, com entrada franca. Acompanhe a programação:
Dia 17Bloom in the Moonlight - A História de Rentaro Taki, de Shinichiro Sawai (1995). Um dos mais importantes compositores do Japão, que viveu no final do século passado, está retratado neste filme de Sawai. Em 1895 Rentaro Taki ingressa na Academia Nacional de Música do Japão e conhece Yuki, por quem se apaixona.
Porém, logo depois ele contrai tuberculose, e tem que voltar para casa. Renuncia, mesmo que temporariamente, ao seu amor e à vida artística, e vê os colegas alcançarem fama e fortuna. Ao melhorar, vai estudar na Alemanha e lá reencontra Yuki. Declara-se a ela, mas uma recaída faz com que mais uma vez adie seu futuro. Numa escola da aldeia, o jovem compõe uma peça para Yuki.
Dia 18De que Lado Fica a Lua, de Yoichi Sai (1993). Aclamado como o filme do ano, recebeu vários prêmios, inclusive no 44º Festival Internacional de Cinema de Berlim. Kang Chung Nam é um motorista de táxi japonês, mas seus pais são norte-coreanos. A descendência faz com que seja discriminado pelos colegas. Um dia se apaixona por Connie, uma filipina, e entra na dúvida entre continuar na difícil vida em sua terra natal, ou mudar-se para as Filipinas. Apesar da crítica social sobre o preconceito, é uma obra com lances cômicos que desnuda os absurdos do Japão moderno.
Dia 19O Mar Mais Silencioso Daquele Verão, de Takeshi Kitano (1991). Um jovem surdo, Shigeru, trabalha como ajudante num caminhão de lixo. Um dia encontra uma prancha de surf quebrada, leva para casa, conserta e vai ao mar. Com ele, segue a namorada Takako, também deficiente auditiva. Apesar da zombaria geral, ele insiste no aprendizado.
Um dia a prancha se quebra, o rapaz espera pelo pagamento para comprar outra nova. O gerente de uma loja de artigos de surf admira seu empenho, oferece-lhe roupas especiais e uma ficha de inscrição para um campeonato - que Shigeru acaba deixando de participar porque não ouve quando chamam seu nome.
Nada o afasta da paixão de surfar. Depois de se envolver com outros desportistas, volta a participar de um novo certame e vence. Dias depois volta sozinho para o mar revolto. Takako, apreensiva, o segue, mas não consegue encontrá-lo. No mar, a prancha flutua.
Dia 20Pôr-do-Sol Distante - A História de Hideyo Noguchi, de Seijiro Kamiyama (1992). A vida do microbiologista Hideyo Noguchi, que se dedicou às pesquisas sobre a sífilis e a febre amarela, ficando conhecido internacionalmente, tem neste filme uma nova versão. A atenção é voltada não exatamente para o cientista, mas para sua mãe. O trabalho foi baseado numa carta comovente que a mãe mandou ao filho, hoje exposta em museu.
Dia 22Sumô, Suor e Peleja, de Masayuki Suo (1992). Para os fãs de lutas orientais, este filme cai como uma luva. Especialmente aos amantes de sumô. Jovem universitário, Yamamoto, é convidado por um professor a integrar o clube de sumô, que pouco a pouco está desaparecendo. Outros jovens são atraídos ao clube, entre eles uma garota, Masako. Na véspera de uma importante competição, que poderá colocá-los numa divisão acima, Yamamoto quebra o braço.
Masako oferece-se para subir ao ringue, local estritamente frequentado por homens. Além disso, deverá apresentar-se com o uniforme do esporte, o mawashi, que consiste apenas de uma faixa enrolada no quadril. Pela sua insistência, no dia seguinte o clube comparece à competição com o número de lutadores como exige a regra.
Dia 23Kodayu, de Junya Sato (1992). O enredo se passa no final do século 18. O capitão Daikokuya Kodayu deixa o porto de Shirako, próximo a Osaka, com destino a Edo (Tóquio). Uma tempestade em alto mar leva o navio para uma remota ilha das Aleutas, então parte do Império Russo. Depois de aprender os costumes e o idioma locais para sobreviverem, os japoneses querem voltar à terra natal.
Para isso precisam da autorização do governo russo. Kodayu vai até São Petersburgo levar pessoalmente seu pedido à Imperatriz Catarina II, e amarga meses de espera até conseguir uma audiência.
Dez anos depois de ter saído de Shirako, ele está de volta, mas é recebido com desconfiança pelo xogunato. O governo ameaça executar a tripulação caso desembarque. Somente depois de uma longa negociação o comandante é autorizado a pôr os pés no seu país de origem, mas terá de enfrentar uma vida de reclusão.
Dia 24O Fantasma do Bar, de Takayoshi Watanabe (1994). Um viúvo que tinha prometido à esposa em seu leito de morte jamais se casar, acaba se casando e amargando o que poderia ser a tranquilidade do lar, com a presença do espírito da morta. Este triângulo amoroso envolve Sotaro, dono de um pequeno bar, Shizuki (a morta) e Satoko, a segunda mulher.
Sem ser uma farsa o filme segue o estilo de Shochiku - misturar comédia com uma ligeira nostalgia, mesmo sendo uma história sobre a morte. Como o fantasma de Shizuki não está ali para fazer mal a ninguém, acaba ajudando no final, para que todos fiquem na mais plena felicidade.
Mostra do Cinema Japonês. De 17 a 24 de junho, na Cinemateca de Curitiba, com sessões às 18h e 20h30. Legendas em português. Entrada franca.





