Cinema italiano perde um de seus grandes mestres
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quinta-feira, 21 de janeiro de 2016
France Presse 
Roma - O diretor de cinema italiano Ettore Scola, autor entre outros filmes de "Um dia muito especial" e "Nós que nos amávamos tanto", faleceu na terça-feira em Roma, aos 84 anos. Segundo veículos de imprensa italianos, o "maestro" estava em coma desde domingo na policlínica de Roma.
Scola foi um cronista minucioso, apaixonado e irônico da sociedade italiana, dos sombrios anos do fascismo até a crise de identidade dos primeiros anos do século XXI.
Nascido em 10 de maio de 1931, em Trevico, perto de Nápoles e criado em Roma, Ettore Scola era um dos últimos grandes mestres do cinema italiano, diretor de obras-primas com atores como Marcello Mastroianni, Sophia Loren, Vittorio Gassman e Nino Manfredi.
Aos 16 anos, Ettore Scola começou a colaborar em uma revista satírica da época, "Marco Aurelio", primeiro como cartunista e, depois como jornalista que escrevia pequenos "quadros" da vida italiana. Lá conheceu aquele que seria um de seus grandes amigos, Federico Fellini. A partir de 1950 trabalhou no cinema, escrevendo vários roteiros, entre eles "A marcha sobre Roma" (1962) e "Os monstros" (1963) para Dino Risi.
Ettore Scola estreou como diretor em 1964, com "Fala-se de Mulheres", e desenvolveu temas que lhe eram caros, como a amizade, de "Nós que nos amávamos tanto" a "Macaroni" (1984); a família - sórdida, em "Feios, sujos e malvados" (1976), Palma de Ouro em Cannes), ou burguesa, "A família" (1987) -; a ambição social, com "O terraço" (1980), com frequência rodados em Roma, sua cidade de coração. Um de seus filmes mais famosos foi "Nós que nos amávamos tanto".
A Cidade Eterna é a protagonista de "Gente de Roma", sua penúltima obra, filmada em 2003, um passeio aparentemente sem rumo de ônibus para descobrir aspectos pouco conhecidos do povo.
Esquerdista convicto, ligado ao Partido Comunista de Enrico Berlinguer e, mais recentemente, ao Partido Democrata, o cineasta também explorou com brio a história revolucionária da França, em "La Nuit de Varennes" (1982).
Ettore Scola militou no Partido Comunista Italiano (PCI) e foi ministro da Cultura de um "gabinete sombra" formado em 1989 pelos dirigentes comunistas italianos.
Seu último filme "Que estranho chamar-se Federico - Scola conta Fellini" foi um nostálgico documentário sobre Fellini, lançado em 2013.


