Cinema francês faz tudo para sobreviver
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quarta-feira, 27 de agosto de 1997
Sônia Apolinário Agência Estado 
O cinema francês, atualmente, depende da televisão para sobreviver porque metade da verba utilizada nas produções é proveniente das emissoras. Essa situação é o resultado de um processo de 25 anos, cuja iniciativa partiu dos próprios cineastas, e que resultou na criação de uma nova atividade para as TVs: a de co-produtoras de filmes. O quadro foi traçado por um dos diretores da Associação dos Autores, Realizadores-Produtores da França (ARP), Bertrand Van Effenterre, que esteve no Rio, a convite do consulado francês, para contar a experiência francesa de co-produções entre cinema e televisão.
A ARP é uma ONG criada por cineastas em 1987. Foi idealizada por François Truffaut para proteger o cinema do que os diretores, produtores, autores e atores recebiam como sendo seu grande inimigo, no caso, a televisão. A suspeita de que cinema e TV mantinham um relacionamento pouco amistoso vinha, porém, desde a década de 60, quando os cineastas forçaram a criação de leis para regulamentar as exibições e a remuneração dos envolvidos nas produções.
Segundo Effenterre, durante a década de 70, os filmes eram as grandes vedetes das programações das TVs, o que fez com que as emissoras se interessassem em também produzi-los. Foi criado um festival de regras, admitiu. A mais importante delas estabelecia a percentagem da receita de cada emissora que seria destinada à criação de filmes. Atualmente, a França tem dois canais estatais, dois abertos, um privado a cabo (Plus) e o Arthe, que é franco-germânico. Nessa matemática, hoje, as TVs arcam com 50% dos custos da produção francesa. Mesmo assim, a televisão só pode exibir um filme que produziu, dois anos depois da estréia no cinema.
Essa é a nossa experiência e não é um sistema simplesmente exportável porque cada país tem uma televisão diferente, disse Effenterre. Sei que a Globo, a maior TV brasileira, quer produzir filmes e regras terão de ser criadas. Atualmente, a ARP está preocupada com a depedência do cinema em relação à TV porque outro sinal de alerta começou a piscar: o filme não é mais a vedete da programação das TVs porque a audiência é incerta e, por causa disso, a publicidade prefere, cada vez mais, alocar seus recursos nos programas tipicamente televisivos, com público e audiência estáveis.


