O aniversário de 80 anos de Londrina, a ser comemorado em dezembro, tem inspirado importantes atividades de resgate cultural. A "Mostra Sesc de Cinema – Edição Londrina", que começa amanhã, faz parte dessa recuperação da memória da cidade, colocando em cartaz um precioso lote de filmes rodados por produtores locais ao longo da história do município.
A iniciativa é do Sesc e conta com curadoria do diretor, produtor e jornalista Rodrigo Grota. A mostra segue até domingo com a exibição de 40 filmes entre curtas, médias e longas metragens nos mais diversos gêneros e formatos (35mm, 16mm, super-8 e digital). Todas as sessões são gratuitas e ocorrem à tarde e à noite na sala de espetáculos do Sesc Londrina.
A retrospectiva inclui desde obras pioneiras de Hikoma Udihara, Orlando Vicentini e Lorenzo Izquierdo até trabalhos recentes produzidos por cineastas da nova geração como Guilherme Peraro, Artur Ianckievicz, Anderson Craveiro e o próprio Grota. O curador acredita que a mostra seja a mais abrangente já feita na cidade com foco na produção audiovisual local.
"Já fizemos mostras temáticas, mas desta vez conseguimos concentrar uma grande quantidade de filmes antigos e recentes num mesmo evento com temas e suportes variados", diz ele. A mostra foi dividida em sessões temáticas: Londrina Histórica, Londrina em Película, Londrina Documental Londrina Sombria, Londrina Sonora, Londrina Contemporânea e Londrina Imaginária.
O público poderá assistir também a curtas infanto-juvenis, além de um documentário voltado para a cultura popular. Entre os destaques da mostra está o documentário "Londrina 1959", realizado no mesmo ano por Orlando Vicentini, um médico apaixonado pelo cinema. "Ele foi feito em comemoração ao jubileu de prata da cidade e talvez seja o primeiro filme londrinense com abordagem e discurso cinematográfico. O tratamento é de quem conhece cinema", assinala o curador.
Do segmento histórico, Grota ressalta também a importância dos filmes de Hikoma Udihara, restaurados por Caio Julio Cesaro. São curtas produzidos entre as décadas de 30 e 60 como registros "jornalísticos" do dia a dia. "São filmes mudos que foram sonorizados especialmente para a mostra e trazem uma riqueza de imagens de época", informa. A produção dos últimos dez anos, que consolida um movimento audiovisual na cidade, está presente em grande número na programação. De acordo com o curador, muitos filmes desse ciclo recente são praticamente inéditos aos olhos dos espectadores.
"Há filmes que foram vistos apenas por um público reduzido", salienta, citando os curtas "Maria Angélica", de Francelino França; "Rubras Mariposas", de Anderson Craveiro; "Rotundus", de Luciano Pascoal; "Paulo Menten", de Wagner Munhê; e "Mauro Montezuma – Vida e Obra", de Ian e Eik Sorgi. Grota explica que a última década registrou o estabelecimento do digital como formato hegemônico na produção audiovisual.
Apesar da abrangência da mostra, ele ressalva que "muitos trabalhos ficaram de fora". "Vamos continuar a pesquisar, especialmente o período que vai de 1970 até o início de 1990. É uma época difícil de mapear. É possível que tenham sido feitos filmes em VHS; não sabemos. Vamos dar um mergulho atrás desse material. Pretendo fazer uma segunda mostra no próximo ano, quando já teremos os trabalhos que estão sendo feitos este ano. Há pelo menos dez filmes sendo produzidos atualmente", revela.
Na mostra, que começa amanhã, haverá debates com convidados após as sessões das 20 horas.

Confira a programação aqui.

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