CINEMA 'Fahrenheit' chega a Londrina
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terça-feira, 03 de agosto de 2004
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Os assinantes da Folha de Londrina vão ter a oportunidade de assistir em primeira mão a um dos filmes mais esperados do ano. O bombástico ''Fahrenheit 11 de Setembro'', do norte-americano Michael Moore, terá pré-estréia em Londrina, amanhã, a partir das 21 horas, no Cine Catuaí 6 e os assinantes da Folha serão os grandes privilegiados. Os cem primeiros assinantes que ligarem irão receber um par de convites. A ligação deve ser feita das 9h30 às 20 horas, na Central de Atendimento da Folha, pelo telefone 0800 400 7011. A promoção é exclusiva da Folha e os Cines Catuaí.
Nesta sexta-feira, além das 50 cópias do filme no Brasil, mais dez cópias do filme (incluindo a de Londrina) serão distribuídas nas seguintes cidades: Fortaleza (CE), Belém (PA), Uberlândia (MG), Ribeirão Preto, Guarulhos e Santos, em São Paulo.
Dentro do gênero documentário, o polêmico filme faz uma crítica pesada ao governo de George W. Bush desde a sua conturbada eleição até a Guerra do Iraque. Sem poupar nenhum personagem dessa história, Moore chegou a inquirir os congressistas norte-americanos sobre qual deles teria tido um filho enviado para o serviço militar no Iraque. De mais de 400 congressistas, apenas um respondeu afirmativamente. Outro dado chocante é que em uma pequena cidade norte-americana o cineasta registrou que o serviço militar estava se tornando um meio de sobrevivência, de fonte de renda. Aspectos de uma guerra raramente discutidos na mídia.
No Brasil, o filme, que estreou na semana passada, levou mais de 91 mil espectadores pagantes aos 50 cinemas que estão fazendo a sua distribuição. Nos Estados Unidos, o filme está na 10 posição no ranking dos filmes mais rentáveis. Em apenas seis semanas de exibição, já foram arrecadados US$ 109 milhões de dólares, o que consagrou ''Fahrenheit'' como o primeiro documentário do cinema a alcançar tais cifras. Como comparativo, vale observar que, em 12 semanas de exibição, o badalado ''Tróia'' rendeu US$ 132 milhões de dólares.
O que a princípio estava sendo considerado um filme ''pouco vendável'' pela sua temática, se tornou uma referência no gênero documentário e não vem decepcionando no mercado. Fora a aceitação popular, ainda há o aval da crítica de cinema. De 187 críticos norte-americanos, apenas 30 não foram favoráveis ao filme.
Por ser polêmico, não poderiam faltar especulações. Recentemente, foi divulgada pela Internet a notícia de que o filme teria sido exibido na televisão cubana e que isso poderia colocar em risco a elegibilidade do filme concorrer ao Oscar, já que os filmes que concorrem ao prêmio não podem ser exibidos pela televisão ou pela internet sem respeitar o prazo estipulado pela Academia.
Ousado, Moore fez os convidados à cerimônia do Oscar 2004 parar para ouvir o que tinha a dizer ao receber a estatueta por ''Tiros em Columbine'', que faz denúncia sobre o armamento desenfreado do povo norte-americano. No discurso, Moore não poupou Bush e mostrou também com palavras a sua aversão ao presidente dos Estados Unidos.
''Acho importante que a Folha promova esse tipo de evento, principalmente por estarmos em um ano eleitoral. É interessante ver como alguém pode provocar o poder, exigir uma tomada de consciência da população'', disse o crítico de cinema Carlos Eduardo Lourenço Jorge. ''Uma das críticas que o filme recebeu foi mostrar um ponto de vista muito pessoal do autor, mas acho essa discussão válida. Cabe ao espectador discutir, confrontar as informações que está recebendo'', acrescentou.
Nos Estados Unidos, o lançamento do DVD do filme está previsto para o mês de outubro, mês que antecede as eleições norte-americanas e coincide com as brasileiras.


