Cinema em alta
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segunda-feira, 23 de março de 1998
Elisa Marilia Carneiro 
DivulgaçãoO programador da Cinemateca Guido Viaro e diretor de teatro Paulo Biscaia Filho sentado entre os atores da peça PeepNão é só o teatro que agita Curitiba neste primeiro semestre. A segunda edição do Festi Cine e Vídeo - de 30 de abril a 7 de maio - já movimenta os bastidores culturais da cidade e também promove um grande impulso à arte no Paraná. As produções locais ganham destaque nos eventos deste ano e prometem boas surpresas.
A coordenadora do Festival de Cinema, Cloris de Souza Ferreira procurou para Curitiba um perfil que diferenciasse a mostra. Depois de acompanhar todos os 15 festivais brasileiros optamos por um festival didático. Queremos mexer com os jovens, levar as crianças às salas de exibição, ensinar a gostar do cinema latino. Vamos contar a história do cinema e mostrar o melhor da produção nacional, promete.
Para o primeiro Festival de Cinema houve 180 inscrições. Este ano a expectativa é para mais de 200 filmes. Está havendo uma pré-seleção durante todo este mês e o evento mostrará 20 trabalhos em vídeo e outros 20 em curta-metragem. Além das premiações usuais, o melhor roteiro paranaense receberá o prêmio Pinhão.
Os coordenadores do festival estão dando preferência aos trabalhos desenvolvidos nos três estados do sul e nos países que compõem o Mercosul. Um dos grandes motes deste evento será o convênio com salas alternativas. Pretendemos montar um esquema de distribuição para os filmes artísticos, que invariavelmente ficam de fora do circuito comercial, enfatiza Cloris. Sete filmes inéditos brasileiros e outros sete latinos, já garantiram lugar no festival.
Nos anos anteriores as dificuldades enfrentadas para montar um festival deste porte começaram com problemas de base, como a falta de projetores modernos. O projetor mais novo tinha mais de dez anos. A maioria estava com mais de 40 anos de uso. Agora, com as salas da Paramount no Estação Plaza Show, o problema de qualidade foi sanado, comemora Cloris.
Na opinião da cineasta curitibana, Berenice Mendes, a exibição de filmes nacionais fica prejudicada em detrimento das produções hollywoodianas, O planeta inteiro recebe os filmes americanos e a distribuição gira em torno destes filmes. É nas mostras específicas que as produções locais ganham um espaço privilegiado, com os holofotes voltados para os nossos filmes, reconhece.
Ela diz ainda que no Paraná há deficiência de técnicos especializados. Para um trabalho mais aprimorado de som, temos que ir para São Paulo. Segundo Berenice, o festival vai promover a abertura de espaço para uma nova geração interessada em cinema.
Para o programador de cinema da Cinemateca Guido Viaro e diretor teatral, Paulo Biscaia Filho, qualquer coisa que leve o nome de festival atrai a atenção do público. Estamos num período de boa safra no cinema. O festival só ajuda e dá impulso aos trabalhos.
Nesses dias de festival as pessoas falam muito de cinema. Querem saber quem ganhou que prêmio, quem está na mostra, comentam este eu vi, aquele outro perdi. Esse boca a boca é muito bom. Ficam todos com a atenção voltada para o cinema, argumenta.
Eclético, Paulo participa, este ano, do Festival de Teatro com a peça Peep - através dos olhos de um serial killer. Ele reconhece que o cinema nacional ficou pelo menos dez anos adormecido. Entre 1984 e 1994 houve uma crise criativa. Poucas coisas foram feitas e não muito boas. Hoje o cenário é diferente. Vários filmes estão se destacando. O que começou com Carlota Joaquina, teve continuidade com Guerra de Canudos, Pequeno Dicionário Amoroso, O que é isso Companheiro, Central do Brasil e o Quatriho, reconhece.
Um festival é sempre a melhor vitrine, destaca o cineasta Fernando Severo, catarinense radicado em Curitiba. E sempre atrai pessoas de alto gabarito que não teriam outra razão para estar na cidade. Ele argumenta que Curitiba tem uma produção pequena mas de boa qualidade.
Segundo Severo, o cinema ainda precisa de mais incentivos por parte do Estado. Ele destaca duas produções locais e que estarão no festival: Valdir e Rute, com direção de Elói Pires Ferreira e Fuirei, de Guido Viaro. Outros dois curtas inéditos, dos diretores Palito e Altevir Silva já estão prontos e ainda não estrearam. O festival é sempre bom porque aparecem sempre convites para outros festivais e ocorrem reuniões interessantes entre cinéfilos, comemora.


