Cinema e vídeo em destaque
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domingo, 02 de maio de 1999
Zeca Corrêa Leite 
Depois do vendaval, o festival. Começa amanhã o 3º Festival de Cinema e Vídeo de Curitiba, no Teatro Fernanda Montenegro, com a exibição do filme Tiradentes, de Oswaldo Caldeira. O longa-metragem será precedido do curta Rosinha, Minha Sereia, de Berenice Mendes. Até domingo, dia 9, não só o teatro estará transformado em cinema, como também os diversos espaços do Shopping Novo Batel estarão abrigando as oficinas que tradicionalmente acontecem.
Foi um sufoco para a criadora do evento, Cloris de Souza Ferreira, levantar o festival deste ano. Além da crise, que afetou profundamente o festival, também as notícias divulgadas pela imprensa sobre atrasos nos pagamentos dos prêmios, levaram a empreendedora a pensar em desistir do projeto. Porém, as 223 inscrições vindas de todo o Brasil, entre vídeos e filmes, fizeram-na mudar de idéia.
Esse número bateu o recorde de todos os festivais. Eu não podia virar as costas para os candidatos que estavam me dando seu voto de confiança, disse Cloris para a Folha2. Dos mais de 200 trabalhos, foram aprovados 53 filmes e 50 vídeos que participação da mostra durante a semana.
A empresária entende que cinema é uma indústria que precisa de apoio para poder se fortalecer. Desde que isso aconteça, abre-se um mercado de trabalho diverso, que vai do artesão e do marceneiro ao iluminador e motorista.
Enfim, há uma intensa atividade em torno da produção cinematográfica, nem sempre levada em conta quando se discute essa arte. Podemos ser o referencial sul, comentou, sem a necessidade de se viver eternamente atrelados ao eixo Rio/São Paulo.
Duas características regem o 3º Festival de Cinema e Vídeo de Curitiba: um evento enxuto e de qualidade. Enxuto por questões óbvias e de qualidade, pelas mesmas razões. Já que a nossa pretensão é fazer um festival de cinema, então temos que ter tecnologia a contento. O Teatro Fernanda Montenegro será uma sala das mais sofisticadas no gênero, afirmou Cloris.
Da tela de última geração à projeção e ao sistema Dolby de som, tudo está sendo pensado para proporcionar a melhor leitura possível. Para se ter idéia virá um técnico dos Estados Unidos especialmente para cuidar da sonoridade dos filmes. A Kodak está financiando a viagem.
Todos os filmes serão vistos com seu próprio som e imagem, afirmou Cloris. Disse ela que dois técnicos - o dos Estados Unidos e outro de São Paulo - estarão de plantão exclusivamente para cuidar desses detalhes. Cada fita tem sua peculiaridade; não é só botar na bitola e rodar. Há sutilezas tanto na imagem como na sonoridade, que podem chegar ao espectador de forma intacta ou com irritante falta de qualidade.


