Está se transformando em mania a idéia de comentar disputas e prêmios como prólogo de outros. Faz-se isto com muita coisa, inclusive com o Globo de Ouro, que se intitula ''prévia do Oscar''. Não é. É natural que as indicações do último sejam parecidas com as do primeiro. Tratam do mesmo objeto, o cinema. Mas o Globo de Ouro em si é um prêmio valioso para qualquer filme ou carreira. Fora o fato de também premiar a TV (e ninguém diz que é prévia do Emmy), é atribuído pela competente associação que reúne os correspondentes estrangeiros em Hollywood.
A festa do Globo de Ouro se realizou, domingo, em Beverly Hills. Diferente do Oscar, oferece um jantar. Mas mais importante, embora o espetáculo possa ter sido considerado longo, quase 3 horas, o que se viu foi a premiação. Não teve show, não teve música, não teve piadas fora a de Jim Carrey, que ficou isalado. Homenagem a Michael Douglas, pelo conjunto da obra, algumas surpresas como a derrota de Jack Nicholson, uma espécie de monstro sagrado, compensada pela conquista de Diane Keaton, que vibrou muito.
O melhor, porém, ficou por conta do respeito. Ao contrário do Oscar, os homenageados, que afinal eram os verdadeiros donos da festa, não tiveram limite para seus agradecimentos. Recebiam os prêmios e falavam com liberdade. Isto é respeito. Afinal, um grande momento da vida não pode ser diminuído por um formato tolo. O show tirou muita coisa, ainda pode reduzir, mas prevervou o essencial, o direito dos vencedores. Se o Oscar aprender isto com o Globo de Ouro, será muito bom. A propósito, os indicados ao prêmio do cinema saem hoje. E muitos Globos de Ouro estarão nas listas.

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