CINEMA E TV - A MPB revisitada
PUBLICAÇÃO
domingo, 16 de janeiro de 2005
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
O documentário ''Paulinho da Viola Meu Tempo é Hoje'', que acaba de chegar às lojas em DVD, pode ter inaugurado uma tendência no mercado do audiovisual. Na esteira do elogiado filme de Izabel Jaguaribe, outras produções do gênero estão sendo rodadas nesta temporada destacando alguns dos mais ilustres personagens da música popular brasileira.
Coincidência ou não, já se anuncia aqui e ali que Chico Buarque, Tom Jobim, Zeca Pagodinho, Hermínio Bello de Carvalho e a Bossa Nova também estão sob o foco de câmeras e refletores. Chico, por exemplo, protagonizará uma série de três programas de 1 hora de duração para a TV sobre sua vida e obra. A produção é da operadora de TV paga DirecTV em parceria com a RWR Comunicação.
O primeiro episódio será exibido no próximo dia 26 pelo Canal 605. O material vai mesclar imagens de arquivo e depoimentos gravados hoje incluindo um show exclusivo para o projeto e cenas garimpadas do acervo pessoal do compositor. A direção é de Roberto de Oliveira, que produziu vários musicais com Chico nos anos 70 e 80, sobretudo na Bandeirantes.
O primeiro programa, intitulado ''Meu Caro Amigo'', será dedicado às parcerias. Traz uma apresentação histórica ao lado de Elis Regina (1945 -1982), num show de 1974, quando interpretaram juntos a canção ''Pois é'', feita a quatro mãos com Tom Jobim (1927-1994), que também aparece ao lado do homenageado cantando ao piano a música ''Falando de Amor''.
A série será exportada para emissoras do mundo todo e também lançada em DVD. O mesmo vale para ''7 x Bossa Nova'', co-produção da DirecTV com a produtora GIROS. Esta série abordará o gênero musical surgido no Rio de Janeiro na década de 50 fundindo samba e jazz numa linguagem particular cuja influência se faz sentir até hoje sobre tendências contemporâneas mundiais como a música eletrônica e o indie rock.
Cada episódio será dedicado a um artista da Bossa Nova. Johnny Alf, João Donato, Carlos Lyra, Roberto Menescal, Marcos Valle e Celso Fonseca foram os escolhidos. O pacote de programas, também em fase de gravação, tem direção de Belisário Franca, consultoria de Ruy Castro (autor de dois livros sobre o movimento) e apresentação de Nelson Motta.
Outro expoente da Bossa que será retratado na tela é o já citado Tom Jobim. O maestro terá sua vida e obra investigadas em dois longas dirigidos por Nelson Pereira dos Santos e cujas filmagens estão previstas para o segundo semestre deste ano. Um documentário focalizará sua vida reunindo depoimentos de amigos e parentes, o outro abordará sua obra através de três recortes: o Rio, a natureza e o amor.
Para dar cabo da empreitada, o diretor se uniu a Paulo Jobim (filho de Tom), Miúcha e Marco Alberg. O primeiro filme será baseado na biografia ''Tom Jobim, Um Homem Iluminado'', escrita por Helena Jobim e publicada em 1995, um ano depois da morte do irmão. Conterá depoimentos da autora, de músicos, dos filhos e das mulheres de sua vida Tereza Hermany (a primeira esposa e mãe de seus dois filhoes mais velhos) e Ana Lontra Jobim (sua viúva, mãe de Maria Luíza, a caçula).
As entrevistas serão mescladas a imagens de arquivo com destaque para dois especiais de TV, um sobre a Mata Atlântica e outro produzido para festejar o aniversário de 60 anos, comemorado em 1987. O projeto do dois longas deve ser submetido à Agência Nacional do Cinema (Ancine) para entrar em processo de captação de recursos.
O mesmo deve ocorrer com um longa-metragem dedicado ao sambista Zeca Pagodinho, dirigido por Denise Moraes. A produção foi inspirada pelo sucesso do curta ''Jaqueirão do Zeca'', que ela rodou com câmera digital em parceria com Ricardo Bravo (diretor do longa de ficção ''Oriundi''). O filme foi visto por pouca gente.
Mas, no fim do ano passado, faturou os prêmios de Melhor Curta do júri popular e da Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-Metragistas no Fest-Rio. Nele, o mais controverso protagonista de propaganda de cervejas do País aparece contando como escolhe o repertório de seus discos e shows. O documentário tem 20 minutos de duração.
Mostra as animadas reuniões que o artista promove em seu sítio em Xerém (em Duque de Caxias, região metropolitana do Rio de Janeiro) ou na Barra da Tijuca recebendo convidados famosos como os sambistas Nei Lopes e Jamelão e parceiros partideiros como Zé Roberto (compositor do sucesso ''Vacilão'') e Serginho Meriti (autor de ''Deixa a Vida Me Levar'').
Denise Moraes vai partir da mesma idéia para produzir o longa, mas descartando as imagens já utilizadas. O início das filmagens está previsto para este início de ano. Outro projeto de longa que deve chegar às telas brevemente presta uma homenagem ao produtor e compositor Hermínio Bello de Carvalho, responsável por um sem número de shows, discos e o surgimento de talentos na MPB.
Sua vida será contada num documentário dirigido por Sônia Machado e Alê Montoro. A idéia é reunir imagens de arquivo de seus shows e programas de TV (a maioria produzidos para a TV Educativa do Rio de Janeiro entre 1976 e 1990), além de depoimentos de amigos e parceiros. A trajetória de Hermínio não caberia num curta.
Só para ter uma idéia de sua importância, foi ele quem lançou Clementina de Jesus, Paulinho da Viola e Elton Medeiros; além de ter assinado parcerias com estes dois e também com Cartola, Pixinguinha e Baden Powell; e inventado os projetos Pixinguinha e Seis e Meia. O filme foi aprovado no Projeto Rouanet com orçamento de R$ 500 mil. As gravações já começaram. Nada mais oportuno para prestar um tributo ao personagem, que completa 70 anos no próximo dia 28 de março.


