Cinema é evocado em vários momentos
O repertório de ''Carioca'' gira em torno das 12 composições do novo disco ''Carioca' - lançado ano passado e duplo disco de ouro por mais de cem mil cópias vendidas, mas inclui outras 17 músicas, entre clássicos e pérolas quase esquecidas. De épocas e estilos distintos, as 29 canções escolhidas se unem através de um roteiro cuidadosamente costurado, quase dramatúrgico. O cinema, por exemplo, é homenageado em vários momentos.
Seja na citação das divas de ontem (''As Atrizes'') e de hoje (''Ela Faz Cinema'') ou nas trilhas sonoras que compôs: ''Porque Era Ela, Porque Era Eu'', do filme ''A Máquina'', de João Falcão; ''Palavra de Mulher'', de ''Ópera do Malandro'', dirigido por Ruy Guerra; ''Mil Perdões'', tema do longa ''Perdoa-me por me Traíres'', de Braz Chediak; e em três canções para filmes de Cacá Diegues - ''Sempre'', tema de ''O Maior Amor do Mundo, seu último longa; ''Bye Bye Brasil'', do filme homônimo realizado em 1979; e ''Mambembe'', feita para Quando o Carnaval Chegar, de 1972 - nenhuma delas interpretada antes por Chico ao vivo. Também o Rio de Janeiro surge como personagem nas músicas ''Morro Dois Irmãos'' e ''Subúrbio'' ou como cenário em ''Renata Maria'', ''Bolero Blues'', ''Leve'' e ''Futuros Amantes''.
A parceria de Chico e Edu Lobo aparece em quatro momentos do repertório: ''Ode aos Ratos'', do espetáculo teatral Cambaio, de 2001, ''A História de Lily Braun'', ''A Bela e a Fera'' e ''Na Carreira'', as três extraídas da trilha do balé O Grande Circo Místico, de 1982. O show também abre espaço para duas participações: Bia Paes Leme, tecladista da banda que acompanha o cantor em ''Imagina'' e a mais animada de todas que confere ainda mais notoriedade ao espetáculo: o baterista Wilson das Neves que cantam juntos sua única parceria: o samba ''Grande Hotel''. Melhor que isso, só Neves fazendo um solo de samba no palco, aplaudido e admirado por Chico Buarque. (K.M.)





