Cinema de provocação
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Uma fatia da obra perturbadora do chileno Alejandro Jodorowsky poderá ser apreciada esta semana em Londrina. Não se trata, obviamente, de arte para entreter audiências televisivas. ''Nunca busquei um público. Faço os filmes e eles encontram seu público, ou não. Não sou um homem de negócios que faz filmes por dinheiro'', afirmou ele, certa vez, numa entrevista.
Quatro de seus filmes mais polêmicos serão exibidos de amanhã a sexta-feira, às 20h30, na Sala de Espetáculos do Sesc Londrina: ''Fando e Lis'' (1968, 93 min); ''O Topo'' (1970, 125 min), ''A montanha Sagrada'' (1973, 114 min) e ''La Cravate'' (1957, 20 min). A entrada é gratuita.
Jodorowsky nasceu no Chile, exilou-se na França e filmou no México. Ícone da contracultura, foi fundador do movimento artístico conhecido como ''Pânico'', ao lado do dramaturgo espanhol Fernando Arrabal e do ilustrador francês Roland Topor. Estudioso de Freud, Jung, Lacan e outros teóricos do subconsciente, dizia que ''a finalidade da arte é curar; se não cura, não é verdadeira''.
O misticismo é outro elemento acentuado em sua teia de referências, na qual imagens surrealistas desafiam o apego que temos à realidade e nos obrigam a considerar uma visão completamente diferente do mundo. Violência, sexo, filosofia e psicodelia se fundem em suas criações provocando incômodo aos sentidos e às pré-concepções do público.
''Fando e Lis'', título que abre o ciclo amanhã, constitui - de acordo com a crítica - uma síntese do imaginário nada comportado do diretor. O filme, que teve uma recepção conturbada em suas primeiras exibições, narra o triste cotidiano de um casal em crise. Este aparente clichê, no entanto, é revirado do avesso ao longo da jornada espiritual experimentada pelos dois personagens.
Lis é paralítica, Fando a carrega nas costas; os dois vivem numa espécie de futuro pós-apocalíptico e sonham em um dia chegar à Tar, moradia da plenitude espiritual e única cidade sobrevivente da Grande Catástrofe. No trajeto, marido e mulher oscilam entre instantes de afeto e conflito. Eles se odeiam demais para permanecerem juntos, mas se amam muito para viverem separados.
Algumas cenas chocam. Em certa passagem, Lis tem seu sangue extraído, servido em tacinhas e bebido por um médico hematófago acompanhado de um cego. Em outro trecho, ela é posicionada nua em frente a um ancião magrelo e desdentado enquanto uma infinidade de crânios são derrubados sobre o seu corpo.
SERVIÇO
- Mostra CineSesc Jodorovsky
Quando - Amanhã, quinta e sexta-feira, 20h30
Onde - Sala de Espetáculos do Sesc (R. Fernando de Noronha, 264), em Londrina
Mais informações - (43) 3378-7800


