CINEMA COM SOTAQUE NORDESTINO
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 25 de setembro de 2000
Simone Mattos De Curitiba 
Depois de fazer sucesso no teatro e na TV, O Auto da Compadecida chega às telas de cinema e tem pré-estréia hoje, em Curitiba, e amanhã em Londrina
O diretor Guel Arraes e os atores Selton Melo e Matheus Nachtergaele estão hoje em Curitiba, onde participam da pré-estréia do longa-metragem brasileiro O Auto da Compadecida. Amanhã eles estarão em Londrina, onde também haverá pré-estréia. O filme, que entrou em circuito nacional na sexta-feira e só chega esta semana ao Paraná, conta ainda em seu elenco com Denise Fraga, Diogo Vilela e Fernanda Montenegro, entre vários outros renomados atores.
Baseado na peça teatral escrita em 1955 por Ariano Suassuna, o filme O Auto da Compadecida narra as divertidas aventuras de João Grilo e Chicó. A adaptação foi feita por Adriana Falcão, João Falcão e Guel Arraes.
Interpretados por Selton Mello e Matheus Nachtergaele, os protagonistas da trama são personagens espertos e pitorescos. Na luta pela sobrevivência, eles enganam ricos e poderosos e provocam divertidas confusões no sertão paraibano. Além de uma grande quantidade de ricos personagens nordestinos, a história de Ariano Suassuna vai além e aborda os supostos protótipos de céu e inferno. Isso acontece quando, após uma vida repleta de malandragens, João Grilo se confronta com a Nossa Senhora e com o diabo, interpretados respectivamente por Fernanda Montenegro e Luís Mello.
Aventura e humor são os temperos essenciais na montagem que marca a estréia de Guel Arraes como diretor de longa-metragem para cinema. Famoso por trabalhos na televisão, seu vasto currículo inclui a direção do mesmo O Auto da Compadecida, sob forma de seriado.
Ele afirma que a concepção é a mesma para o cinema ou para a TV, mas cita algumas importantes diferenças entre os dois veículos. Uma das grandes vantagens do cinema é a visão concentrada que a sala escura propicia, comenta. Em sua opinião, a TV é muito dispersiva. Por isso, sua expectativa em relação ao filme é de que o público absorva melhor as idéias e informações. Arraes diz ainda que uma aproximação cada vez maior entre os dois veículos seria vital para o cinema brasileiro.
Todas as filmagens externas de O Auto da Compadecida foram feitas no vilarejo de Cabaceiras, próximo a Taperoá (PA). O local recebeu adaptações para se transformar em cenário e abrigar a equipe de 65 pessoas da produção e elenco. Adaptamos as fachadas de 59 casas, 22 postes de iluminação foram trocados, os cabos telefônicos escondidos e a igreja foi totalmente pintada. Só a parte histórica da cidade estava bem conservada, comenta o coordenador de produção, Gustavo Nielebock.
A ficha técnica de O Auto da Compadecida conta ainda com direção de fotografia do argentino Felix Monti (O Quatrilho e O Que é Isso, Companheiro?), direção de arte de Lia Renha e figurinos de Cao Albuquerque.
O produtor do filme, Renato Tilhe, e a coordenadora de marketing da Globo Filmes, Giselia Martins, também estão hoje em Curitiba. Além do lançamento do longa-metragem, está previsto um coquetel para convidados, hoje a partir das 23h30, no Bar e Espaço Cultural Era Só o Que Faltava. Durante a festa, haverá show do Grupo Mundaréu.
A pré-estréia do filme O Auto da Compadecida em Curitiba, com a presença de diretor e atores, acontecerá hoje, às 21h30, no Cine Crystal, em Curitiba. Os ingressos estão sendo distribuídos pela Rádio e TV Educativa do Paraná (fones 41-322-0062 e 41-322-8599). Na sequência da programação, haverá coquetel e show com o Grupo Mundaréu no Bar e Espaço Cultural Era Só o Que Faltava (Avenida República Argentina, 1334, fone 41-342-0826). Em Londrina, a pré-estréia será amanhã, no Cine Catuaí 3.


