O cineasta Guilherme de Almeida Prado, 44 anos, percorre o Brasil numa verdadeira via-sacra, suplicando por salas para exibição do seu 5º longa-metragem ‘‘A Hora Mágica’’. Por força dessa peregrinação, Prado desembarcou em Londrina na última quarta-feira, para a premiere na Sessão Brasil, juntamente com a protagonista do filme, a bela Julia Lemmertz.
Enquadrar a filmografia de Prado em alguma tendência do cinema nacional é propor uma charada. Certo é que sua proposta estética é das mais refinadas. Seu diploma de engenheiro jaz perdido em alguma gaveta. A formação no cinema foi na célebre ‘‘Boca do Lixo’’, em São Paulo. Os primeiros tempos foram de imersão total, na produção e assistência de direção. Trabalhou em 8 filmes, num período de 18 meses. Se deleitou na pornochanchada (‘‘As Taras de Todos Nós’’ - 1981) e recebeu os holofotes da fama com o emblemático ‘‘A Dama do Cine Shangai’’, de 1988. Sua filmografia é de tirar o sossego. Isso tem um preço, um currículo enxuto como diretor. ‘‘Cinema brasileiro é um prato cheio para gostar e odiar’’, disparou.
Prado aposta no retorno do brasileiro aos cinemas, mas percebe nesse público uma certa insegurança com as imagens do País na tela grande. ‘‘Cinema é uma questão de hábito’’, sintetizou, durante debate na Universidade Estadual de Londrina. Para agilizar o processo de solidificação da nova fase do cinema nacional, Prado acredita que as ações sociais ainda dependem do governo, porque ‘‘estamos no jardim da infância da democracia’’.
Em ‘‘A Hora Mágica’’, a história vai sendo construída a partir de pequenas ações cotidianas, exigindo do espectador conclusões próprias. No elenco, Raul Gazolla, Julia Lemmertz, José Lewgoy e Maitê Proença. O roteiro, concebido pelo próprio Guilherme, acompanha o ator de radionovelas Tito Balcárcel e a jovem misteriosa Lúcia, numa complicada relação, salpicada de suspense e misteriosos assassinatos. Rádio, cinema e televisão são mostrados de forma irônica. ‘‘Tentei brincar com os meios de comunicação como um todo’’, prossegue.
O próximo filme, em fase de captação de recursos, é regionalista rural. ‘‘Enquanto a Noite Não Chega’’ é uma adaptação do romance do gaúcho Josué Guimarães, com Paulo Autran, Carmen Silva e Leonardo Villar no elenco. Leia trechos da entrevista que o cineasta concedeu à Folha2.


Que argumentos você usaria para convidar o leitor a assistir ‘‘A Hora Mágica’’?

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