'Cinema brasileiro é para gostar e odiar'
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de maio de 1999
Francelino França 
O cineasta Guilherme de Almeida Prado, 44 anos, percorre o Brasil numa verdadeira via-sacra, suplicando por salas para exibição do seu 5º longa-metragem A Hora Mágica. Por força dessa peregrinação, Prado desembarcou em Londrina na última quarta-feira, para a premiere na Sessão Brasil, juntamente com a protagonista do filme, a bela Julia Lemmertz.
Enquadrar a filmografia de Prado em alguma tendência do cinema nacional é propor uma charada. Certo é que sua proposta estética é das mais refinadas. Seu diploma de engenheiro jaz perdido em alguma gaveta. A formação no cinema foi na célebre Boca do Lixo, em São Paulo. Os primeiros tempos foram de imersão total, na produção e assistência de direção. Trabalhou em 8 filmes, num período de 18 meses. Se deleitou na pornochanchada (As Taras de Todos Nós - 1981) e recebeu os holofotes da fama com o emblemático A Dama do Cine Shangai, de 1988. Sua filmografia é de tirar o sossego. Isso tem um preço, um currículo enxuto como diretor. Cinema brasileiro é um prato cheio para gostar e odiar, disparou.
Prado aposta no retorno do brasileiro aos cinemas, mas percebe nesse público uma certa insegurança com as imagens do País na tela grande. Cinema é uma questão de hábito, sintetizou, durante debate na Universidade Estadual de Londrina. Para agilizar o processo de solidificação da nova fase do cinema nacional, Prado acredita que as ações sociais ainda dependem do governo, porque estamos no jardim da infância da democracia.
Em A Hora Mágica, a história vai sendo construída a partir de pequenas ações cotidianas, exigindo do espectador conclusões próprias. No elenco, Raul Gazolla, Julia Lemmertz, José Lewgoy e Maitê Proença. O roteiro, concebido pelo próprio Guilherme, acompanha o ator de radionovelas Tito Balcárcel e a jovem misteriosa Lúcia, numa complicada relação, salpicada de suspense e misteriosos assassinatos. Rádio, cinema e televisão são mostrados de forma irônica. Tentei brincar com os meios de comunicação como um todo, prossegue.
O próximo filme, em fase de captação de recursos, é regionalista rural. Enquanto a Noite Não Chega é uma adaptação do romance do gaúcho Josué Guimarães, com Paulo Autran, Carmen Silva e Leonardo Villar no elenco. Leia trechos da entrevista que o cineasta concedeu à Folha2.
Que argumentos você usaria para convidar o leitor a assistir A Hora Mágica?


