Cinema adere com força a filmes antiracismo
Há cada vez mais produções que abordam o racismo, sinal que o ativismo funciona e faz o mundo girar
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 11 de abril de 2019
Há cada vez mais produções que abordam o racismo, sinal que o ativismo funciona e faz o mundo girar
Natália Perezin - Estagiário* 
As diferenças entre pessoas estão cada vez mais evidente nas artes. Nos últimos anos, o ativismo ganhou espaço e vários movimentos começaram a se sentir contemplados pela representatividade em diferentes plataformas. O racismo, por exemplo, é abordado em algumas obras do cinema.
Filmes mais antigos, como “Ao Mestre, Com Carinho” (James Clavell/1967), atuais, como “Green Book” (Peter Farrelly/2018), biográficos como “What Happened, Miss Simone?” (Liz Garbus/2015), que conta a história de Nina Simone, e nacionais, como “Cidade de Deus” (Fernando Meirelles, Kátia Lund/2002), são alguns exemplos disso. As histórias são completamente diferentes, mas como a vida imita a arte, não é de se esperar que exista uma uniformidade quando se trata de um assunto tão complexo como esse. O racismo pode se revelar de várias formas e um dos papéis de quem se propõe a realizar reflexões a respeito dessas questões deve ser, justamente, retratá-las.

Um dos últimos sucessos da Netflix, “O Menino Que Descobriu o Vento”, dirigido por Chiwetel Ejiofor, conta a história real de William Kamkwamba, um garoto de Malaui (África). Com a ajuda de um livro de ciências e auxílio de alguns objetos retirados no lixo, ele cria uma bobina eólica para ajudar toda a comunidade, que sofria com uma forte seca.
O filme ainda está fazendo muito sucesso, não apenas por mostrar a história de superação, que por si só é emocionante – mas porque também mostra a miséria e escassez que as pessoas enfrentam por lá. Nos dias 14 e 15 de março deste ano, Malaui e mais dois países foram atingidos por um ciclone que matou mais de 700 pessoas. Essa tragédia não recebeu tanta ajuda como outras, tampouco visibilidade expressiva na mídia.
Por muito tempo, eram raros os filmes que tinham protagonistas negros. Não apenas dentro das telas é possível perceber a relação do racismo com a sociedade. Por exemplo, o filme “Corra!”, de 2017, dirigido e escrito por Jordan Peele e que aborda questões raciais, rendeu a ele o Oscar de melhor roteiro original no ano seguinte.
Peele foi o primeiro negro a receber o prêmio nessa categoria. Em recente entrevista sobre seu último filme, “Nós”, que também faz críticas sociais, o cineasta afirmou que não tem intenção em escalar pessoas brancas para papéis protagonistas em seus filmes. Essa afirmação mostra que o mercado está mudando, já que os estúdios estão repensando seus padrões de representatividade e o que traz mais lucro.

Em contrapartida ao Oscar, o Festival de Berlim, por exemplo, é uma premiação que exalta a diversidade retratada nas obras. Considerado o festival mais político, todas as suas edições, de maneira ou outra, têm uma carga ideológica.
Muitas vezes as artes nos ajudam a enxergar além da nossa realidade. Não é diferente com os filmes que retratam o racismo, porque eles desconstroem o pensamento de que vivemos em uma sociedade igualitária. Não, não vivemos e talvez estejamos longe de viver. Mas o cinema e as outras artes têm pessoas a favor desse tipo de mudança.
*Supervisão: Célia Musilli
Editora da Folha 2


