CINEMA A CARVÃO
Mireilli Baroni
De Santo Antônio da Platina
Especial para a Folha2
A Casa da Cultura de Santo Antônio da Platina é a única no Norte Pioneiro a possuir uma máquina de reprodução cinematográfica ainda em funcionamento. É a única sala de projeção cinematográfica em atividade na região. Ao contrário do que ocorria tempos atrás, hoje vê-se um maior interesse da população, principalmente entre os jovens, em assistir aos filmes exibidos.
A máquina de projeção do cinema chegou na cidade em 1952 e desde a inauguração do prédio da Casa da Cultura Platinense, em 1 de dezembro de 1953, está em funcionamento. O equipamento veio da cidade de Toledo, Estado de Ohio, nos Estados Unidos, e funciona movida por um carvão especial.
Segundo informações obtidas na própria Casa da Cultura, existem apenas três máquinas desse mesmo modelo que ainda estão em atividade no país, a da Casa da Cultura Platinense, uma em Arapongas e a terceira em Itaporanga (SP). A presidente da Fundação Cultural de Santo Antônio da Platina, Nely Martins Moraes, explica que a Casa da Cultura ainda exibe filmes porque recebe ajuda financeira da Prefeitura Municipal. O carvão é muito caro, uma caixa que contém cerca de 50 bastões de carvão positivo e negativo custa em média R$ 700,00. Cada bastão geralmente reproduz um filme, no máximo dois, dependendo da duração. A Fundação Cultural, sem apoio financeiro, não tem condições de manter essa máquina, afirma.
A Casa da Cultura Platinense tem capacidade para acomodar 650 pessoas e atrai uma média de 90 a 100 pessoas por sessão. Os filmes, todos lançamentos, são exibidos a cada 15 dias, e cada um fica em cartaz durante uma semana. O próximo filme a entrar em cartaz é O Trapalhão e a Luz Azul, e começa a ser exibido dia 18 de fevereiro às 20h30. A última exibição foi Pokémon.
Segundo ela, nos áureos tempos do cinema, a Casa da Cultura chegava a receber 1,5 mil pessoas diariamente, diversos casais se conheceram e começaram a namorar no escurinho do cinema. Há um toque de romantismo em tudo isso, muitas famílias tiveram suas bases formadas dentro do cinema. Pais levavam os filhos, casais de namorados se divertiam assistindo aos filmes e muita gente só ia ao cinema para paquerar, era um lugar especial. Todos se arrumavam, colocavam a melhor roupa, ressalta.
O trabalho de reprodução dos filmes exibidos na Casa da Cultura Platinense também é algo que merece destaque. Durante aproximadamente 38 anos, Vicente Montanheiro foi o responsável pela reprodução. Este trabalho foi passado para o filho, Marcos Montanheiro, que está no ofício há cerca de seis anos. É preciso muito cuidado na hora da exibição, o filme pode arrebentar, ser posto da maneira incorreta, ou até mesmo pegar fogo, assegura Marcos Montanheiro.
Segundo relatos de Nely, os filmes mais exibidos e de recorde de público foram King Kong, a série Mazzaropi e Titanic, a mega produção que ganhou 11 Oscars.
A Casa da Cultura recebe um grande apoio, principalmente financeiro, da prefeitura municipal e da comunidade platinense. Não existe um valor definido que a prefeitura nos libera, essa verba vem de acordo com as necessidades, principalmente para o pagamento dos funcionários e da manutenção de maior urgência, falou a presidente. A Casa da Cultura mantém alguns associados, que colaboram com a instituição, mensalmente, com R$ 5,00. Cada associado recebe uma carteirinha e, estando em dia com as mensalidades, tem o direito de entrar gratuitamente nas exibições. O dinheiro é uma ajuda de custo para as despesas da Fundação.
A Presidente da Fundação Cultural disse que o Governo do Estado, através da Secretaria Estadual de Cultura, aprovou um projeto de reforma do prédio, mas essa verba não foi liberada e os valores não foram definidos. Outro recurso esperado viria pelo governo federal, através de uma emenda apresentada pelo deputado federal Chico da Princesa (PSDB). A data e os valores também são desconhecidos.
Segundo Vicente Montanheiro, que durante 38 anos trabalhou na Casa da Cultura Platinense, o que mais o emocionou foi a exibição do filme Quando Setembro Vier. Foi durante uma das sessões que conheceu a sua esposa. Vi muita gente entrando solteiro e saindo casado. Desde os 17 anos trabalhei no cinema, só parei quando me aposentei, em dezembro do ano passado, meu filho é que está dando continuidade no meu trabalho. Creio que consegui passar o amor que sentia pelo cinema a ele, concluiu.Casa da Cultura de Santo Antônio da Platina busca recursos para manter sala de cinema com projetor que funciona, na cidade, desde 1953
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