No Brasil, a popularidade de artistas televisivos costuma se espraiar para o cinema, são muitos os filmes que exploram a imagem de galãs das novelas em comédias românticas. Mas, de vez em quando, o sucesso de filmes e de artistas de cinema acaba por seguir o caminho contrário e criar programas e apontar tendências para a tevê. Depois do filme ''Cidade de Deus'' desdobrar-se em novas produções, como ''Cidade dos Homens'', agora é a vez de ''Tropa de Elite'' gerar uma série de subprodutos na tevê, que se aproveitam do sucesso do longa-metragem. Caso de ''Bofe de Elite'', quadro do humorístico dominical ''Show do Tom'', da Record, que vem se mantendo líder de audiência aos domingos. E do ''Tropa de Celulite'', integrante do ''Pânico na TV'', da RedeTV!. Além disso, quatro emissoras abertas e uma a cabo disputam os direitos de um seriado inspirado no filme, com estréia prevista para o ano que vem.
No domingo retrasado, o ''Show do Tom'' permaneceu por 15 minutos à frente do ''Domingão do Faustão''. A atração da Record teve pico de 20 pontos que pode ser creditado tanto ao talento de Tom Cavalcanti, Tiririca & cia. quanto à popularidade do filme. Não é a primeira vez que o programa consegue chegar ao primeiro lugar e a vice-liderança já é rotineira. Mas ''Bofe de Elite'' parece ter disposição para morder mais alguma audiência. O quadro é um pastiche que imita até a forma narrativa do filme, com um depoimento em ''off'' do comandante da Tropa que descreve os bizarros acontecimentos exibidos na tela.
A produção é paupérrima e todas as piadas giram em torno da opção sexual dos integrantes da tropa Bofe de Elite, enfiada em botas cor-de-rosa. É um humor ingênuo e debochado que chega a lembrar os antigos programas dos ''Trapalhões''. O que chama a atenção é como uma criação tão primária pôde conquistar tamanha popularidade, mesmo a reboque da fama do filme. Um sucesso que põe em xeque as escolhas da televisão brasileira em programação, subsidária das últimas novidades das tevês americana e inglesa.
''Tropa de Celulite'' imita os mesmos bordões e personagens de ''Tropa de Elite'', desta vez representados por atrizes gordinhas vestidas de soldados com a missão de impedir o consumo de comida doces ou gordurosa por pessoas em lanchonetes e ruas da capital paulista. O ''Pânico na TV'' ainda levou ao ar o ''Tropa Corinthiana'', com trechos do filme dublados pelos apresentadores do humorístico da RedeTV!. O ''Casseta & Planeta'' também apresentou um homônimo ''Tropa de Celulite'', além do ''Tropa de Artrite'' e de outro quadro com um grupo de ''soldados do Bope'' capazes de resolver os problemas particulares mais variados e, em geral, escatológicos.
A febre da Tropa parece longe de se esgotar. Em pesquisa do Ibope, levantou-se que 11,5 milhões de pessoas já assistiram à cópia pirata e 2,1 milhões foram ao cinema ver o filme original. Que promete se tornar o longa nacional mais visto de todos os tempos.
Com menos de 100 longas-metragens produzidos por ano - em 2006, foram 73 -, o cinema nacional ainda não mantém uma comunicação mais eficiente com a tevê, que traria ótimos resultados tanto para um meio de comunicação quanto para o outro. Convergência digital também é isso aí.

mockup