CINEMA - Um Nobel no júri de Cannes
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terça-feira, 08 de maio de 2007
Carlos Eduardo Lourenço Jorge<br> Especial para a Folha 2 
Sob a presidência do diretor Stephen Frears (''A Rainha''), o júri do 60º Festival de Cannes deve trabalhar duro na Côte d'Azur durante doze dias, a partir da próxima quarta-feira. Ao todo, são 22 os filmes selecionados na competição principal, aquela que oferece como prêmio máximo a cobiçada Palma de Ouro, troféu que só perde para o Oscar em visibilidade midiática.
Entre os jurados convidados, um deles é caso de celebridade recente e instantânea - mas aqui não se trata somente daqueles 15 minutos de fama. Ferit Orhan Pamuk, laureado ano passado com o Prêmio Nobel de Literatura, vinha construindo há anos sólida carreira como escritor e também como ativista político em seu país, a Turquia, onde tornou-se indesejável por causa de denúncias que fez sobre atrocidades cometidas no passado pelos turcos contra armênios e curdos. No Brasil, três de seus principais livros estão editados: ''Neve'', ''Meu Nome é Vermelho'' e o mais recente, ''Istambul''.
Sobre o convite para estar em Cannes, Pamuk declarou: ''Essa é a primeira vez que aceitei participar como jurado de um festival de cinema, arte da qual sou um eterno apaixonado. Ainda me lembro do primeiro filme que assisti, em 1966, em Istambul, 'Vinte Mil Léguas Submarinas', que me deixou fascinado. Desde então, vou sempre ao cinema e, quando era jovem, frequentei a cinemateca turca em busca de novos tesouros. Enfim, o cinema faz parte da minha história e fiquei muito honrado com o convite de Cannes.''
Os outros integrantes do júri são as atrizes Maggie Cheung (Hong Kong); Toni Collette (Austrália), Maria de Medeiros (Portugal) e Sarah Poley (Canadá), e os diretores Marco Bellocchio (Itália), Abderrahmane Sissako (Mauritânia) e Michel Piccoli (França).


